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Agnico pode refinar ouro mexicano no Canadá para fugir de taxas

Danielle Bochove

06/06/2019 08h56

(Bloomberg) -- Se a ameaça se concretizar, uma das maiores mineradoras de ouro do mundo está preparada para escapar das tarifas sobre produtos mexicanos anunciadas pelo presidente Donald Trump.

A Agnico Eagle Mines atualmente produz cerca de 300 mil onças de ouro no México e que são refinadas nos Estados Unidos, volume que provavelmente estaria sujeito às tarifas propostas, disse na quarta-feira o presidente da empresa, Sean Boyd. Mas o executivo já sabe como responderia aos impostos.

"Não é caro transportar uma barra de ouro por avião", disse Boyd em entrevista no escritório da Bloomberg em Toronto. "Seria apenas questão de refiná-lo em outro lugar. Poderíamos facilmente trazê-lo para o Canadá.

Enquanto isso, a segunda maior mineradora de ouro do Canadá, com sede em Toronto, tem se beneficiado do isolacionismo dos EUA. As tensões no comércio global fortaleceram o dólar em relação ao peso mexicano e ao dólar canadense, reduzindo significativamente os custos da Agnico, disse.

Oportunidades de crescimento

Apesar de duas megafusões no setor de ouro nos últimos 12 meses, Boyd não tem interesse em aquisições e acredita que a maior parte da consolidação ocorrerá entre empresas com valores de mercado de US$ 1 bilhão a US$ 3 bilhões. Boyd disse não estar preocupado com qualquer uma das gigantes do mundo correndo atrás da Agnico e que não perde tempo olhando por cima do ombro. Em vez disso, prefere executar seu portfólio atual enquanto procura pequenas aquisições em jurisdições seguras.

Ganhos do ouro

As ações do setor de ouro, que tiveram um desempenho inferior ao do preço spot nos últimos 12 meses, estão perto de uma virada, disse Boyd. Esse é um ponto que o executivo destacou enquanto cortejava investidores europeus generalistas de alto patrimônio recentemente, durante um almoço em Viena e um jantar em Mônaco. O atual rali dos preços do ouro não tem a ver com tarifas, disse, mas sim com um conjunto de vários fatores, como um mercado acionário "cansado", crescimento econômico "instável" e níveis crescentes de dívida soberana em todo o mundo.

A resistência tem sido forte em US$ 1.360-US$ 1.370 a onça de ouro; Boyd acredita que seria preciso um corte das taxas de juros nos EUA para impulsionar o mercado acima desse nível.

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