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Gripe suína africana fecha portas para mercado negro de carne

Bloomberg News

06/06/2019 11h30

(Bloomberg) -- As medidas da China para impedir a propagação da gripe suína africana estão fechando as portas para o comércio de carne no mercado negro, que movimenta cerca de US$ 2 bilhões por ano.

Controles mais rigorosos nas fronteiras da China reduziram a quantidade de produção não oficial sendo importada dos países vizinhos. Essas importações incluem 2 mil contêineres de carne de búfalo que pecuaristas indianos enviam para a China todos os meses via Vietnã para contornar um bloqueio de Pequim, que já dura 18 anos.

As vendas caíram pela metade desde que o controle das fronteiras chinesas foi reforçado no ano passado em razão do surto de gripe suína africana. Agora, as exportações de carne de búfalo via Vietnã caíram para cerca de mil contêineres por mês, segundo a All India Meat and Livestock Exporters Association. O grupo quer que Pequim volte a autorizar a Índia a vender diretamente para a China, dizendo que isso vai ajudar a aliviar a escassez de carne no país.

"É extremamente fundamental e importante obter acesso direto ao mercado chinês", disse Fauzan Alavi, vice-presidente da associação. "O acesso através do Vietnã é extremamente errático. Estamos solicitando acesso direto, pois será benéfico para os consumidores chineses em termos de qualidade e preço."

A China proibiu as importações de carne de todos os animais biungulados (casco com duas unhas) da Índia após um surto de febre aftosa em 2001. A doença, que afeta animais como búfalos, bovinos e ovinos, está presente na China e na Índia. A nação do sul da Ásia tem um programa de vacinação extensa para tentar controlar a doença. A administração alfandegária da China não quis comentar.

"As autoridades têm controlado rigorosamente as importações, e o contrabando de carne vem caindo", disse em entrevista Feng Yonghui, analista-chefe do portal Soozhu. "O setor pecuarista não pode sofrer outro golpe após o surto de gripe suína."

Feng disse que a carne contrabandeada é vendida principalmente para processadoras, que a transformam em produtos cozidos.

O forte declínio das vendas no exterior é outro revés para os exportadores de carne na Índia, já que sua própria existência é questionada por nacionalistas hindus. A crescente competição de exportadores tradicionais de carne bovina, como Austrália e Brasil, também afetou o setor. Os embarques de carne de búfalo no país caíram cerca de 25% desde o pico de 2014, para 1,56 milhão de toneladas no ano passado, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

As importações "não oficiais" de carne bovina da China são estimadas em cerca de 1 milhão de toneladas por ano, com Hong Kong e Vietnã entre os maiores pontos de entrada.

To contact Bloomberg News staff for this story: Pratik Parija em Nova Delhi, pparija@bloomberg.net;Shuping Niu em Beijing, nshuping@bloomberg.net

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