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Corretoras de criptomoedas se preparam para aperto das regras

Olga Kharif

11/06/2019 14h33

(Bloomberg) -- A Bitcoin e outras criptomoedas são cada vez mais populares, em parte porque ofereceram uma maneira de contornar a supervisão governamental exercida sobre os sistemas financeiros tradicionais. Bem, prepare-se para dar adeus a grande parte dessa autonomia.

Em 21 de junho, a Força-Tarefa de Ação Financeira (FATF, na sigla em inglês) - um esforço multigovernamental que elabora recomendações para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, seguido por cerca de 200 países - vai publicar uma nota para esclarecer como as governos participantes devem supervisionar os ativos virtuais, disse Alexandra Wijmenga-Daniel, porta-voz da FATF, em e-mail. As novas regras serão aplicadas às empresas que operam com tokens e criptomoedas, como operadores de câmbio e custódia e hedge funds de criptomoedas.

Depende muito de como as regras - que há muito tempo regulam as transferências bancárias tradicionais - serão interpretadas e aplicadas por reguladores específicos de cada país, mas representam "uma das maiores ameaças à criptomoedas hoje", disse Eric Turner, diretor de pesquisa da Messari, em e-mail. "A recomendação pode ter um impacto muito maior do que a SEC ou qualquer outro regulador teve até hoje."

As diretrizes vão exigir que empresas das mais diversas, como operadoras de câmbio como Coinbase e Kraken e gestores de recursos como Fidelity Investments, coletem informações sobre clientes que realizem transações de mais de US$ 1.000 ou 1.000 euros, bem como detalhes sobre os destinatários dos recursos, e enviem esses dados para o provedor de serviços do destinatário com cada transação.

Embora pareça simples, a conformidade será cara e tecnicamente difícil, disse John Roth, responsável de conformidade e diretor de ética da operadora de câmbio Bittrex, de Seattle, que negocia cerca de US$ 58 milhões por dia. Afinal, os endereços das carteiras em livros digitais que suportam as criptomoedas são em grande parte anônimos, de modo que uma operadora atualmente não tem como saber quem é o destinatário dos fundos.

"Ou vai exigir uma reestruturação completa e fundamental da tecnologia blockchain, ou vai exigir um sistema paralelo global para ser construído entre as cerca de 200 operadoras do mundo", disse Roth. "Você pode imaginar as dificuldades em tentar construir algo assim."

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