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Emissões globais de carbono têm maior alta em 7 anos, segundo BP

Jeremy Hodges

11/06/2019 13h28

(Bloomberg) -- As emissões globais de carbono deram o maior salto em sete anos em 2018 com o aumento da demanda por energia, segundo relatório anual de energia global da BP. Os dados indicam que as iniciativas dos governos para combater a mudança climática não estão surtindo efeito.

O relatório, um dos levantamentos mais acompanhados sobre as tendências globais de energia, revelou que a demanda primária cresceu no ritmo mais rápido da década em 2018, embora o crescimento econômico tenha perdido força. A China, Índia e Estados Unidos foram responsáveis por dois terços da alta de 2,9% do consumo.

O sentido de urgência cresce em todo o mundo para evitar o aumento da temperatura global, que subiu 1 grau Celsius desde o início da revolução industrial e pode dobrar o número no termômetro até o fim do século. É a mudança mais rápida no clima desde o fim da última era glacial, há cerca de 10 mil anos.

"No momento em que a sociedade está mais preocupada com a mudança climática e com a necessidade de ação, a demanda por energia e as emissões de carbono crescem no ritmo mais rápido dos últimos anos", disse Spencer Dale, economista-chefe da BP, em entrevista em Londres.

Grande parte do aumento foi impulsionado por padrões climáticos mais voláteis. Um aumento do número de dias fora dos padrões -- ou muito quentes ou muito frios -- elevou o uso de energia para aquecimento e ar-condicionado, disse Dale. Como resultado, as emissões globais de CO2 aumentaram pelo terceiro ano consecutivo, uma tendência que deve continuar por um tempo.

Quase 200 países se comprometeram em adotar medidas para limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius, seguindo as metas do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas em 2015. O objetivo é reduzir tempestades, secas e fome que devem ocorrer mais frequentemente diante de mudanças climáticas fora de controle.

Até mesmo o consumo do combustível fóssil mais sujo para geração de energia aumentou. Tanto o consumo quanto a produção de carvão avançaram no maior ritmo em cinco anos, impulsionados pela necessidade de economias em desenvolvimento na Ásia de conectar milhões de residências a uma fonte confiável de eletricidade.

Mas o relatório da BP traz algumas tendências mais promissoras. O consumo de energia renovável cresceu 15% em 2018, perto do avanço recorde do ano anterior. A China, novamente na vanguarda, está instalando mais energia renovável do que os países mais desenvolvidos da OCDE combinados, disse a BP.