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Goldman vê desafios para extensão do pacto de produção da Opep+

Olga Tanas e Dina Khrennikova

11/06/2019 12h07

(Bloomberg) -- A incerteza sobre os fundamentos da oferta e demanda de petróleo dificulta um acordo entre e Rússia e Arábia Saudita - os arquitetos da aliança Opep+ - para que resolvam suas diferenças sobre a possível extensão do pacto de produção no segundo semestre, segundo o Goldman Sachs Group.

O crescimento da demanda atual "nem sustentaria a saída do acordo de produção, nem é fraco o suficiente para reforçar mais cortes", disse Jeffrey Currie, diretor de pesquisa de commodities do Goldman Sachs, em entrevista em São Petersburgo na secta-feira. Além disso, com a incerteza sobre as exportações iranianas e a crescente produção de xisto nos Estados Unidos, "torna-se cada vez mais difícil saber quais níveis de produção vão equilibrar o mercado".

Enquanto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados se preparam para discutir o limite de produção em Viena, analistas de petróleo pesam as chances de um potencial excesso de oferta em meio ao crescimento mais lento da demanda. Um enfraquecimento do consumo pode exigir que o grupo estenda os cortes, uma tarefa que a Rússia pode não estar disposta a assumir.

Os estoques de petróleo dos EUA tipificam essa ambiguidade da oferta. O volume atualmente está no nível mais alto desde meados de 2017, segundo dados da Administração de Informação sobre Energia. Os números do governo que saem nesta quarta-feira devem mostrar uma queda de 1,25 milhão de barris, o maior declínio desde o início de maio, segundo pesquisa da Bloomberg.

"É muito mais fácil unificar uma posição, quando há corte do fornecimento ou forte demanda, então tanto Rússia quanto Arábia Saudita querem aumentar a produção", disse Currie às margens do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, na sexta-feira. Mas agora "é um ambiente muito mediano. Isso torna as tensões entre Rússia e Arábia Saudita mais aparentes".

O ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid Al-Falih, disse que tem certeza de que um acordo está a caminho para a Opep e que alguns ajustes podem ser feitos para não membros da organização. Já o ministro de energia russo Alexander Novak adota uma abordagem mais cautelosa, dizendo que precisa de mais tempo e que uma posição unificada pode ser discutida até a próxima reunião da Opep+.

Repórteres da matéria original: Olga Tanas em Moscou, otanas@bloomberg.net;Dina Khrennikova em Moscou, dkhrennikova@bloomberg.net