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Reguladores alarmados com alto nível de empréstimos de risco

Sally Bakewell e Thomas Beardsworth

11/06/2019 14h08

(Bloomberg) -- O constante alarme sobre o crescente volume de empréstimos corporativos de risco soa cada vez mais alto. Repetidas vezes, reguladores dos Estados Unidos e Europa têm alertado que as empresas estão assumindo muita dívida.

O mercado de empréstimos alavancados, de US$ 1,3 trilhão, é composto de títulos de dívida de alto rendimento de empresas com balanços frágeis. Enquanto o Federal Reserve e o Banco Central Europeu têm chamado a atenção para essas empresas altamente endividadas e para a deterioração dos padrões de empréstimos embutidos em títulos como CLOs (sigla para os chamados empréstimos colateralizados), a maioria dos reguladores evita afirmar que uma repetição de 2008 é improvável porque são os investidores, e não os bancos que as agências supervisionam, que detêm a maior parte da dívida.

No entanto, isso criou um novo e potencialmente mais perigoso tipo de risco. Precisamente porque cerca de 85% dos empréstimos alavancados estão nas mãos de investidores que não são bancos, reguladores estão em grande parte no escuro quando se trata de identificar onde estão os riscos e como estes se espalhariam pelo sistema financeiro quando a economia der uma virada. Críticos questionam cada vez mais se reguladores como o Fed têm controle sobre o problema ou as ferramentas certas para administrar as consequências. Uma grande preocupação é o risco de empresas altamente alavancadas, que empregam milhares de pessoas, enfrentarem um forte estresse financeiro e, em alguns casos, insolvência, aprofundando a próxima crise.

"Sempre me lembro de que mesmo o mais inteligente formulador de políticas com a perspectiva, dados e ferramentas de maior alcance estava basicamente cego sobre a amplitude e profundidade da crise imobiliária", disse Mark Spindel, diretor de investimentos da Potomac River Capital. "Empréstimos alavancados e dívidas corporativas não são moradias, mas talvez sejam mais difundidos do que pensamos. Não podemos ignorar nada que seja relacionado a CLO, empréstimo alavancado ou crescimento da dívida privada."

Demanda por CLO

Sinais de riscos excessivos surgiram em vários mercados. Mas os empréstimos alavancados causam espanto, em parte devido ao baixo nível de regulamentação. Impulsionado em grande parte pela demanda por obrigações de empréstimos com garantias, que oferecem juros de até 9% em algumas porções mais arriscadas da dívida, o mercado de empréstimos alavancados mais que dobrou desde 2012.

O endividamento das empresas é alto. Empresas dos EUA têm 7,7 vezes mais dívidas do que geram em rendimentos anuais, segundo a empresa de pesquisa Covenant Review, que analisou a relação dívida/Ebitda não ajustado no primeiro trimestre de empresas envolvidas em aquisições. O nível está próximo da máxima pós-crise. Há quatro anos, a relação dívida-Ebitda era de apenas 5,5. Os índices europeus não ficam muito atrás.

Uma pesquisa da Wells Fargo sugere que os compradores de CLOs incluem bancos, seguradoras e hedge funds dos EUA, bem como um grande número de empresas financeiras não americanas. Bancos japoneses, como o Norinchukin, que investe as poupanças de agricultores e pescadores, estão entre os maiores compradores das tranches de melhor classificação, uma vez que enfrentam retornos nulos ou mesmo negativos dos títulos do próprio país.

Repórteres da matéria original: Sally Bakewell em N York, sbakewell1@bloomberg.net;Thomas Beardsworth em Londres, tbeardsworth@bloomberg.net