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Sanções dos EUA paralisam contrabando de combustível na Colômbia

Oscar Medina

11/06/2019 12h56

(Bloomberg) -- Os colombianos de cidades fronteiriças próximas à Venezuela estão fazendo fila para fazer algo que muitos deles não fazem há décadas: ir a um posto de gasolina.

Com as sanções contra a Venezuela, incluindo a proibição da importação de combustível e produtos refinados dos EUA, os colombianos que vivem perto da fronteira foram abruptamente excluídos de um dos mais longos e lucrativos negócios de contrabando do mundo. Por pelo menos 25 anos, os vendedores de combustível traficaram a gasolina virtualmente livre da Venezuela pela fronteira para os consumidores dispostos a pagar muito mais, mas ainda bem abaixo do preço padrão na Colômbia.

Em algumas áreas, os últimos postos de gasolina legais do lado colombiano fecharam anos atrás graças à profusão de gasolina contrabandeada e a economia local agora está sentindo os efeitos. É claro que os venezuelanos têm sofrido com o suprimento irregular de combustível por anos na fronteira, e a escassez piorou muito nas últimas semanas com as refinarias paradas ou operando em baixa capacidade. As filas estendem-se por até 12 horas no oeste da Venezuela para encher um tanque com combustível subsidiado, enquanto outros pagam dólares em dinheiro para conseguir um lugar na fila ou encher o tanque em locais clandestinos.

"Vamos ter que nos acostumar a pagar os preços colombianos", disse Wilfred Cardenas, de 38 anos, dono de uma loja, enquanto fazia fila para comprar combustível legal na cidade fronteiriça colombiana de Cucuta.

As sanções aprovadas pela administração de Donald Trump têm o objetivo de pressionar o presidente venezuelano Nicolas Maduro a renunciar em meio à mais profunda recessão econômica da história moderna, que levou à fome milhões de pessoas e à ruína a indústria petrolífera do país. Cerca de 4 milhões de venezuelanos fugiram da crise minando os serviços e testando as economias dos países vizinhos. Os colombianos agora estão sentindo as sanções também.

O choque econômico da retirada repentina de combustível barato terá um efeito "muito importante" sobre a inflação, à medida que os custos de transporte mais altos afetam as empresas locais, disse Adolfo Meisel, historiador econômico que fez parte do comitê de política do banco central.

"O consumo de gasolina era praticamente 100% venezuelano", em algumas partes da fronteira, disse Meisel. "Em termos de emprego, também haverá um grande impacto".

Rota do Contrabando

A rodovia entre Cucuta e a cidade fronteiriça colombiana de Puerto Santander - um corredor tradicional de contrabando de combustível - está cada vez mais deserta, e as pilhas de tanques plásticos de combustível contrabandeado à beira da estrada, visão comum há algumas semanas, desapareceram.

Aqueles que permanecem estão reduzidos a suas últimas unidades e os preços quase triplicaram para cerca de US$ 5 o galão. Não há um único local legal para comprar combustível em todo o trajeto de 90 minutos.

Em Puerto Santander, onde grupos armados ilegais controlam o comércio de contrabando há décadas, as empresas locais estão sofrendo devido à falta de combustível. Os lojistas, que costumavam vender alimentos básicos difíceis de obter na Venezuela, dizem que o comércio entrou em colapso, já que é mais difícil para os venezuelanos conseguirem atravessar para fazer compras.

Cucuta, a maior cidade da fronteira, tem a maior taxa de informalidade do trabalho na Colômbia, com 71%. A cidade de 700 mil habitantes foi atingida pela primeira vez quando a Venezuela fechou suas portas às exportações colombianas há uma década, e depois se tornou o marco zero para a crise migratória.

O mais barato do mundo

A gasolina na Venezuela, que tem as maiores reservas mundiais comprovadas de petróleo, é de longe a mais barata do mundo. Mas a petrolífera estatal Petroleos de Venezuela tem lutado para manter suas refinarias, a logística está em desordem, as sanções estão tornando mais difícil e mais cara a importação de combustível e os suprimentos deixados são enviados primeiro para a capital Caracas.

Autoridades venezuelanas afirmaram nos últimos anos que o comércio de contrabando de gasolina chegava a 50 mil barris por dia.

Em 31 de maio, os postos de gasolina em Cucuta venderam gasolina a 7.200 pesos colombianos (US$ 2,20) o galão. No mercado negro, eram 11 mil pesos. O combustível do mercado negro costumava ser muito mais barato, mas agora consiste principalmente em combustível colombiano sendo revendido para o benefício de pessoas que não querem entrar na fila.

Nem todo mundo está perdendo. Sylvia Escovar, CEO da Terpel, maior rede de postos de gasolina da Colômbia, disse que os acontecimentos são uma oportunidade para sua empresa.

"Estamos vendo uma boa oportunidade de mercado agora para marcar a diferença com o contrabando", disse ela.

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