PUBLICIDADE
IPCA
1,16 Set.2021
Topo

Medicamento pode substituir quimio com menos efeitos colaterais

Kanoko Matsuyama

12/06/2019 10h56

(Bloomberg) -- Uma classe de medicamentos que pode atacar células cancerígenas sem afetar as saudáveis tem potencial para substituir a quimioterapia e seus efeitos colaterais, transformando o futuro do tratamento do câncer.

Os complexos medicamentos biológicos, chamados de conjugado anticorpo fármaco (ADCs, na sigla em inglês), estão em desenvolvimento há décadas e agora despertam um otimismo renovado devido ao sucesso de um ADC em estágio avançado de testes, um tratamento para câncer de mama chamado DS-8201.

A euforia em relação aos ADCs é tamanha que em março a AstraZeneca fechou um acordo de US$ 6,9 bilhões para desenvolver o DS-8201 em parceria com a japonesa Daiichi Sankyo, o maior negócio da farmacêutica britânica em mais de uma década. O investimento foi visto por muitos como uma validação do potencial do DS-8201 - e da classe de medicamentos ADC como um todo - como alternativa à quimioterapia, o tratamento mais usado para alguns tipos de câncer.

A expectativa em relação ao DS-8201, que será registrado para obter aprovação nos EUA até o fim de setembro, é tão alta que alguns analistas já estimam que o medicamento vai ultrapassar os US$ 7 bilhões em vendas anuais do Herceptin, fabricado pela Roche, usado no tratamento do câncer de mama.

"O DS-8201 pode se tornar um dos medicamentos biológicos contra o câncer mais importantes", disse Caroline Stewart, analista da Bloomberg Intelligence, cujas estimativas para o DS-8201 apontam para vendas globais de US$ 12 bilhões, um nível atingido por apenas alguns medicamentos biológicos. "Embora o campo tenha avançado e existam várias empresas com foco em ADCs, a Daiichi parece ter desenvolvido uma expertise única."

Analistas dizem que o DS-8201 poderia triplicar o número de pacientes que recebem tratamento direcionado para câncer de mama, o tumor mais comum em mulheres e que mata mais de meio milhão por ano. Igualmente importante é sua capacidade de atacar as células cancerígenas sem afetar as normais, uma vantagem fundamental em relação ao tratamento mais agressivo da quimioterapia.

O tratamento da Daiichi tem dobrado o tempo de sobrevida para pacientes com câncer de mama, de 10 para até 20 meses, disse em março o ex-analista do UBS Securities Japan, Atsushi Seki. Nos ensaios, pacientes que usaram o DS-8201 tiveram menos náuseas e perda de cabelo em comparação com a quimioterapia.

--Com a colaboração de John Lauerman.

PUBLICIDADE