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Superiates e preparar bebidas: a verdade sobre os family offices

Sophie Alexander e Devon Pendleton

12/06/2019 16h07

(Bloomberg) -- Os family offices estão à procura de talentos. No entanto, atrair talentos do setor financeiro para cargos de nível C em firmas de investimento de famílias ricas é um trabalho complicado, principalmente porque nem todos estão preparados para a mudança de cultura. Trabalhar diretamente para algumas das pessoas mais ricas do mundo traz benefícios como viagens e superiates, mas também pode exigir lidar com dramas familiares e personalidades inusitadas. Paul Westall e Tayyab Mohamed, diretores da Agreus Group, uma empresa de recrutamento focada em preencher cargos em family offices unifamiliares, dizem que primeiro se certificam de que os candidatos entendem o que vão fazer antes de contratá-los. Em entrevista à Bloomberg Markets, eles descrevem como é trabalhar para um family office e o que as famílias esperam de seus gestores de investimento.

Bloomberg Markets: Quais são alguns desafios que vocês enfrentam ao recrutar pessoas family offices?

Paul Westall: Não é difícil encontrar pessoas qualificadas e talentosas em Nova York ou em Londres, mas a mentalidade e a cultura de um family office são muito diferentes. As equipes são muito menores. Encontrar alguém confiável e discreto e alguém em quem a família possa confiar é a preocupação principal, porque suas fortunas, meios de subsistência e gerações inteiras de riqueza estão em jogo.

BM: Que tipo de pessoa se encaixa bem nesse contexto?

Tayyab Mohamed: Alguém que trabalhou em uma grande empresa e administrou uma equipe inteira e nunca fez qualquer trabalho manual pode não se encaixar na mentalidade de family office. Por exemplo, há um grande family office do sul da Ásia com o qual trabalhamos em Londres que tinha um diretor de investimentos, e ele disse que nem sequer tinha uma recepção. Ele ria sobre como às vezes deixava os visitantes entrarem e preparava uma bebida para eles - e esse era o CIO.

PW: Porque você tem que administrar diferentes membros da família e relacionamentos diferentes e trabalhar com pessoas do tipo A, geralmente pessoas que trabalham em um family office são agradáveis, simpáticas, com alta inteligência emocional.BM: Quais são alguns outros choques culturais que as pessoas podem esperar quando trabalham em um family office?

TM: A disposição e a atitude de estar à disposição da família podem ser um choque cultural. Quando você trabalha para o family office, está à disposição da família para atender às suas necessidades em momentos difíceis. Por exemplo, você pode planejar férias e ter de cancelá-la.

BM: Como a diversidade no espaço de family office se compara com a do resto do mundo financeiro?

PW: O lado de gênero é comparável ao mundo dos bancos de investimento e administração. É em grande parte dominado por homens - cerca de 71% do sexo masculino. Vemos uma tendência, no entanto -- alguns dos family offices de maior sucesso são comandados por mulheres.

TM: Em termos de raça, as famílias tendem a contratar pessoas que são boas para o trabalho, mas não têm uma política de recursos humanos nem interna para garantir a diversidade. Acho que geralmente tendem a contratar pessoas como elas devido à questão do conforto, embora não ache que estejam fazendo um esforço consciente para isso.

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