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Curva de juros invertida chega aos mercados emergentes

Aline Oyamada

13/06/2019 09h28

(Bloomberg) -- O canário no mercado de títulos de dívida está dando mais sinais de que uma recessão pode estar a caminho nos países em desenvolvimento.

No Brasil, México e Filipinas, as taxas de juros de prazos mais longos caíram abaixo dos juros de curto prazo, criando curvas de juros invertidas que são frequentemente interpretadas como um sinal de uma potencial recessão. As curvas também se achataram na Coreia do Sul, e há muito estão invertidas na Argentina e Turquia.

Apesar de os investidores apontarem razões específicas de cada país para a inversão, o maior mercado de títulos de dívida do mundo é parcialmente culpado: nos Estados Unidos, o rendimento dos bônus de 10 anos caiu para 2,05% na sexta-feira, o menor nível desde setembro de 2017 e cerca de 20 pontos-base abaixo das taxas de três meses.

Brasil

No Brasil, embora a curva de juros dos títulos soberanos de dois e 10 anos ainda não esteja invertida, a ponta curta da curva DI se inverteu no início de junho, após dados de atividade reforçarem as apostas de que a taxa Selic pode ser cortada. A agenda pró-reforma do presidente Jair Bolsonaro impulsionou um rali inicialmente, mas, diante do crescimento morno, o mercado agora precifica em mais de 50% as chances de o Banco Central cortar o juro básico no segundo semestre.

Economistas reduziram as previsões de crescimento nos últimos três meses e agora esperam que o PIB mostre expansão de apenas 1,3% este ano, segundo pesquisa da Bloomberg. Uma desaceleração da inflação reforçou a expectativa de que o Comitê de Política Monetária reduza as taxas. Mas, mesmo se o BC não agir, preocupado com a percepção de que um corte dos juros, já no nível mais baixo da história, seria imprudente neste momento, "os mercados reduzirão as taxas para eles", disse Ricardo Adrogue, gestor de recursos em Boston da Barings, que administra US$ 317 bilhões em ativos. As taxas locais têm mais espaço para cair, disse.

México

A curva de juros do México se inverteu no fim de maio, quando o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ameaçou impor tarifas comerciais às importações mexicanas. O movimento se tornou ainda mais forte após o anúncio de um acordo comercial, e a curva agora mostra a inversão mais profunda desde dezembro de 2001.

Filipinas

Um recente rali no mercado de títulos de dívida das Filipinas, impulsionado pela nova política dovish do banco central, reduziu o rendimento dos bônus de 10 anos, mas a queda dos juros dos títulos de curto prazo foi mais moderada, em parte devido à menor liquidez.

Argentina

A curva de juros dos títulos soberanos atrelados ao dólar da Argentina se inverteu em abril em meio ao nervosismo em relação às próximas eleições, o que levou os investidores a vender dívida de curto prazo, preocupados de que um novo governo não pague essas obrigações. No fim de maio, grande parte da preocupação se dissipou, levando a um aperto da ponta curta da curva. Mesmo assim, a curva permanece muito invertida.

Coreia do Sul

A curva de juros denominada em won se achatou no mês passado diante das expectativas mais baixas para o crescimento e inflação na Coreia do Sul, o que pressionou a redução dos rendimentos de prazo mais longo. O spread atual entre títulos de 5 e 2 anos está próximo de zero, e a diferença entre os rendimentos dos títulos de 10 anos e 2 anos é de pouco mais de 15 pontos-base.

"O mercado claramente está apostando no achatamento da curva com rendimentos de longo prazo em baixa", disse Kang Seungwon, estrategista de renda fixa da NH Investment & Securities. A tendência deve continuar até o fim do ano diante das projeções de crescimento fraco, disse.

--Com a colaboração de Constantine Courcoulas, Tomoko Yamazaki, Karl Lester M. Yap, Hooyeon Kim e Carolina Millan.

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