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Chinesa Huawei promete investir pesado onde for bem recebida

Andrea Navarro

14/06/2019 15h44

(Bloomberg) -- A Huawei Technologies tem ciência de que é um momento difícil para quem se envolve com empresa.

Mas quem fizer isso será recompensado, avisou Andrew Williamson, responsável global por informações de marketing, em entrevista realizada na Cidade do México.

"A Huawei investirá pesadamente nos países onde somos bem-vindos", disse ele, acrescentando que a implementação da tecnologia 5G ao redor do mundo será muito mais difícil se os EUA forem adiante com sanções.

"Restringir a concorrência na infraestrutura 5G terá custos enormes. Governos e empresas em todo o mundo precisarão pesar esses custos contra os supostos riscos à segurança nacional."

No mês passado, o governo do presidente Donald Trump deu uma ordem que pode restringir as vendas de equipamentos Huawei nos EUA. Washington também colocou a empresa em uma lista negra, ameaçando o abastecimento de componentes produzidos nos EUA ? desde semicondutores até os aplicativos Google que rodam em smartphones da marca.

Segundo Williamson, ainda é cedo para saber se o noticiário envolvendo a empresa impactou os clientes no México, mas que os resultados do segundo trimestre ajudarão a esclarecer a situação. Na Europa, o negócio de smartphones da Huawei parece estar perdendo terreno. O temor dos consumidores de que os aparelhos da Huawei fiquem desatualizados fez a demanda "cair de um penhasco", disse Ben Stanton, analista da Canalys no Reino Unido.

"Entendemos que é preciso estabelecer padrões globais de segurança cibernética", disse Williamson, acrescentando que está disposto a trabalhar em estreita colaboração com autoridades para tratar das preocupações com a segurança nacional. "Temos que voltar aos fatos, voltar para a formulação de políticas governamentais baseadas em evidências."

No México, a Huawei está fornecendo a tecnologia para a rede móvel compartilhada do país, chamada Red Compartida. A companhia também trabalha com todas as principais operadoras, incluindo AT&T e América Móvil, segundo o executivo.

Os EUA mantêm a decisão de barrar a presença da Huawei em redes de telecomunicação de última geração, embora Trump tenha levantado a possibilidade de incluir a empresa em um futuro acordo comercial com a China, segundo informação passada por um funcionário do Departamento de Estado americano na quinta-feira, em Bruxelas.

O Departamento de Justiça dos EUA indiciou a Huawei por roubo de segredos comerciais e trabalha em um processo criminal contra a diretora financeira Meng Wanzhou, alegando que ela conspirou para enganar bancos a fim de liberar transações ligadas ao Irã, violando as sanções dos EUA.

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