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Criptografia e trânsito parado embalaram protestos em Hong Kong

Fion Li, Blake Schmidt, Shawna Kwan e Tracy Alloway

14/06/2019 17h18

(Bloomberg) -- Milhares de manifestantes vestidos de preto enfrentaram gás lacrimogêneo e chuva por 79 dias durante o chamado "Movimento dos Guarda-Chuvas" em Hong Kong, em 2014. As lições daquele episódio aparentemente deixaram os ativistas mais ágeis e preparados para lidar com a polícia.

Os jovens que tomaram as ruas nesta semana contra uma lei de extradição para a China usaram o aplicativo de mensagens criptografadas Telegram para compartilhar sua localização. Eles distribuíram máscaras cirúrgicas como proteção contra spray de pimenta e gás lacrimogêneo e para esconder seus rostos. Eles pararam carros e caminhões para travar o trânsito. E montaram estações de apoio, agindo mais rápido do que cinco anos atrás.

"É a engenhosidade verdadeira do povo de Hong Kong", disse Kong Tsung-gan, autor de "Umbrella: A Political Tale from Hong Kong", livro sobre o movimento de 2014. "Não havia estruturas pré-existentes e elas surgiram de uma hora para outra."

Ao mesmo tempo, a polícia de Hong Kong também parece mais preparada para dispersar a multidão -- e mais empenhada em impedir que o longo processo de 2014 se repita.

Batalhões de choque usaram spray, gás lacrimogêneo e balas de borracha, impedindo que os manifestantes permanecessem nos locais. A polícia informou ter disparado 150 rodadas de gás lacrimogêneo contra as pessoas que protestaram na quarta-feira, quase o dobro das 87 rodadas disparadas durante todo o Movimento dos Guarda-Chuvas.

Os ativistas convocaram outra passeata em 16 de junho.

Estas foram algumas das táticas usadas pela população de Hong Kong nesta semana:

Criptografia

Embora um grupo de defesa da democracia chamado Frente de Direitos Humanos tenha ajudado a coordenar o movimento contra a nova legislação, não havia líderes óbvios nos protestos de quarta. O ativista estudantil Joshua Wong, face pública dos protestos de 2014, está preso.Muitos manifestantes foram recrutados em grupos de mensagens instantâneas. No Facebook e Instagram, havia convites para atividades como "piquenique de uma pessoa só" ou "pintura sem companhia" perto da Assembleia Legislativa. De acordo com a lei local, o encontro de três pessoas ou mais sem autorização policial pode ser considerado ilegal.

Vestidos como ninjas

Muitos manifestantes se vestiram inteiramente de preto ou branco e levavam máscaras para não serem reconhecidos. Alguns usaram óculos de proteção contra gás lacrimogêneo e spray de pimenta.

Táticas policiais vs. táticas de ativistas

Após a experiência de 2014, estações de suporte surgiam em questão de horas, fornecendo máscaras cirúrgicas, guarda-chuvas, água e filme plástico. Também havia cabos, fita adesiva e luvas para construção de barreiras. E claro, comida.Manifestantes formaram cadeias humanas para distribuir itens de primeira necessidade e componentes para montagem de obstáculos. Eles também organizaram estações de reciclagem e primeiros socorros.À medida que a multidão aumentava, barreiras foram transformadas em escadas para as pessoas subirem até a estrada.

Acidentes de trânsito

Carros, caminhões e até um ônibus de repente ficaram parados em importantes vias que levavam à zona do protesto, provavelmente em resposta a uma campanha que pedia que os motoristas criassem "acidentes amigáveis" para bloquear ruas. Pelo menos 10 automóveis pararam no meio da avenida Queensway, no centro empresarial da cidade.

Repórteres da matéria original: Fion Li em Hong Kong, fli59@bloomberg.net;Blake Schmidt em Sao Paulo, bschmidt16@bloomberg.net;Shawna Kwan em Hong Kong, wkwan35@bloomberg.net;Tracy Alloway em Abu-Dabi, talloway@bloomberg.net

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