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Com IPO de unidade de caminhões, Volks tenta encolher estrutura

Christoph Rauwald

17/06/2019 12h47

(Bloomberg) -- O plano da Volkswagen de abrir o capital de sua divisão de caminhões no fim deste mês vai testar a capacidade da montadora de conseguir um feito antes impensável para a gigante alemã: encolher.

Durante décadas, a maior montadora do mundo só soube expandir as operações - com os esportivos de luxo Bentley, bicicletas de corrida Ducati e caminhões pesados Scania, ao mesmo tempo em aumentava sua rede de fábricas para mais de 100 unidades e força de trabalho acima de 640 mil.

Mesmo diante do escândalo do diesel em 2015, a Volks não reduziu seu portfólio, elevando os investimentos em carros elétricos e até mesmo criando uma nova divisão para serviços de mobilidade.

Agora, com o acelerado ritmo de mudança do setor automobilístico, a Volkswagen tenta reduzir seu império.

Se o IPO de uma participação minoritária na Traton - fabricante de caminhões e ônibus com três marcas de veículos e avaliada em 16,5 bilhões de euros (US$ 18,5 bilhões) - correr bem, o presidente da Volkswagen, Herbert Diess, teria mais voz para equilibrar os conflitantes interesses dos acionistas da Volks, como o da família dona da Porsche e Piech, Baixa Saxônia e poderosos sindicatos trabalhistas.

"O preço do IPO da Traton sugere um valuation saudável, que destaca a desconexão significativa da soma das partes da Volks", disse em nota Tom Narayan, analista da RBC Capital Markets. A preocupação em relação à capacidade da empresa de focar na produção de veículos elétricos está "injustamente" pesando sobre o preço das ações, disse o analista.

Por enquanto, Diess busca parcerias tecnológicas mais significativas e possíveis vendas de ativos como a fabricante de transmissores Renk e a MAN Energy Solutions, que desenvolve motores. Um IPO bem-sucedido da Traton, agendado para 28 de junho, poderia até mesmo levar a concorrente Daimler a seguir o exemplo com seu próprio negócio de caminhões.

A Volkswagen vai oferecer 50 milhões de ações da Traton por 27 euros a 33 euros cada, além de um possível lote extra de 7,5 milhões de ações. No topo da faixa de preço, a oferta levantaria até 1,9 bilhão de euros.

A Traton quer atrair investidores combinando a melhor tecnologia e fortes margens da unidade Scania, com a perspectiva de uma virada dos resultados da MAN e o potencial de crescimento em mercados-chave, segundo apresentações da empresa e pesquisas de bancos que assessoram a Volks vistos pela Bloomberg.

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