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Computação de borda pode tornar dispositivos mais inteligentes

Pavel Alpeyev

18/06/2019 09h07

(Bloomberg) -- Desde que o Japão lançou sua primeira sonda espacial em 1985, as fotografias têm sido tiradas de um modo relativamente pouco tecnológico, apontando câmeras para objetos no cosmo e permitindo que disparem automaticamente. Tudo o que é capturado é enviado de volta à Terra, onde pessoas escolhem o material entre as fotos mais bonitas.

O problema é que esta abordagem consome muita bateria e largura de banda. Por isso, a agência espacial do Japão está testando uma câmera mais precisa: o dispositivo decide quais fotos têm melhor luz, ângulo e composição, e devolve apenas as melhores. Usar inteligência artificial em computadores grandes e potentes? Não é grande coisa. Mas é muito mais difícil em uma minúscula espaçonave com sérias restrições de energia.

A LeapMind, com sede em Tóquio, é uma empresa especializada em "computação de borda", ou que processa dados não em um servidor central ou mesmo em um PC, mas em dispositivos remotos com capacidade de processamento limitada e sem conexão à Internet. A ideia é instalar inteligência artificial em semáforos, câmeras de segurança, eletrodomésticos - e até mesmo na estranha sonda espacial.

A inteligência artificial pode fazer coisas incríveis, mas ainda não é muito usada porque a matemática exige enorme poder de computação e muita eletricidade. Isso significa que carros sem motoristas devem ser algo parecido com centro de dados sobre rodas, com dezenas de processadores que podem se aquecer ao ponto da fervura da água. A computação de borda promete fazer com que a inteligência artificial trabalhe dentro dos milhares de dispositivos e máquinas de menor porte em residências e escritórios.

"Os obstáculos para instalar inteligência artificial em produtos reais são realmente grandes", disse Soichi Matsuda, de 36 anos, fundador da LeapMind. "Há todos os tipos de sérias limitações: preço, consumo de energia, lidar com o calor de escape."

A LeapMind é apenas uma das dezenas de empresas que trabalham com computação de borda. Google e Amazon.com foram pioneiras, mas, no ano passado, empresas de capital de risco investiram cerca de US$ 750 milhões em startups do setor, segundo a CB Insights, um aumento de 26% em relação ao ano anterior. Em 2017, um grupo liderado pela Intel Capital investiu US$ 10 milhões na LeapMind.

Essas empresas procuram simplificar drasticamente o modo de operação da inteligência artificial para que dispositivos do dia a dia obedeçam a comandos de voz, respondam a gestos e vejam seu entorno. A tecnologia permitiria que uma câmera de segurança em uma residência diferenciasse moradores de estranhos ou permitisse que sensores instalados nas roupas monitorassem a saúde do usuário, sem enviar informações privadas para a nuvem.

O truque da computação de borda é reduzir os números para que possam ser processados por chips menores, mas sem perder muita precisão. É um desafio, porque, para cada dígito reduzido, há uma perda exponencial de expressividade.

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