IPCA
0.11 Ago.2019
Topo

Bancos de varejo exploram mercado de 200 milhões na Nigéria

Emele Onu

19/06/2019 09h20

(Bloomberg) -- Depois de anos ignorando consumidores, bancos da Nigéria fazem uma aposta sem precedentes nos serviços de varejo.

O maior uso de tecnologia e a urbanização abrem as portas para um mercado de quase 200 milhões de pessoas, onde menos da metade dos adultos tem conta bancária. Atraídos pelo vasto potencial de um mercado inexplorado, os bancos não têm muita escolha diante da concorrência de operadoras de telefonia móvel com mais de 160 milhões de usuários, além da exigência do banco central do país para que aumentem a oferta de crédito sob risco de sofrerem penalidades.

Os bancos tentam atrair consumidores oferecendo acesso gratuito a músicas em celulares, empréstimos consignados ou serviços de compras para aumentar os depósitos e reduzir custos de financiamento. Outro ponto de pressão para mudar a estratégia é a desvalorização das cotações do petróleo que afetou os principais clientes no setor de petróleo e gás e levou a um aumento dos empréstimos de risco.

Mas a pressa em aumentar a oferta de crédito pode empurrar os bancos para um território "arriscado", disse Tunde Abidoye, analista do FBNQuest, de Lagos, apesar das vantagens das operações de varejo.

Há poucos dados sobre os hábitos de consumo dos mutuários, renda e nível de endividamento. O setor bancário também precisa superar os desafios de atender um mercado onde muitas pessoas não têm endereço fixo e 45% da população sobrevive com menos de US$ 1,90 por dia. Os cartões de crédito praticamente não existem, e há apenas cerca de 50 mil pessoas com hipotecas, segundo o Federal Mortgage Bank of Nigeria, controlado pelo governo, o que mostra o longo caminho a ser percorrido por bancos de varejo.

Por enquanto, os maiores bancos do país, como Access Bank, Guaranty Trust Bank e Zenith Bank, estão focados em oportunidades em serviços de varejo, e os investimentos em novas plataformas de tecnologia já mostram forte crescimento em operações e comissões. Uma melhora do perfil de empréstimos inadimplentes também incentiva a oferta de crédito.

Mais Economia