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França pode suspender subsídios para remédios homeopáticos

Marthe Fourcade

19/06/2019 10h07

(Bloomberg) -- No armário de remédios de praticamente todas as famílias francesas há pelo menos um tubo de pílulas esféricas parecidas com as balas Tic Tac. Assim como as balas, essas pílulas contêm principalmente açúcar e derretem facilmente sob sua língua, mas não são doces. São remédios homeopáticos com nomes latinos como Arnica montana e Passiflora, para os quais muitos franceses e médicos põe a mão no fogo.

Agora, esses medicamentos alternativos para a dor, estresse, insônia e outros problemas correm risco de perderem mercado em meio ao debate sobre se o governo, que subsidia cerca de um terço dos custos do setor, deve continuar financiando a fabricação de remédios homeopáticos.

Um painel de saúde deve decidir no fim do mês sobre o futuro dos fundos para a homeopatia, uma prática de 200 anos que críticos consideram ineficaz e possivelmente perigosa. Ao contrário do turbulento movimento dos coletes amarelos, a polêmica ainda não chegou às ruas. Mas as forças pró-homeopatia se mobilizam para uma batalha nas redes sociais, encontros e panfletos distribuídos em farmácias de toda a França.

A disputa atinge diretamente visões conflitantes sobre o envolvimento do estado no sistema de saúde do país em um momento de queda da qualidade e dos serviços. Empregos também estão em jogo: a Boiron, líder do mercado global de homeopatia, estimado em mais de US$ 30 bilhões, tem sede na França.

Os medicamentos da Boiron coexistiram por muito tempo com os tratamentos convencionais na França, prescritos por médicos e vendidos em quase todas as farmácias. Acabar com o financiamento público para esse tipo de tratamento poderia desacreditar a homeopatia e "sacudir" o setor em todo o mundo, diz a presidente da Boiron, Valerie Poinsot.

Críticos dizem que as pílulas homeopáticas têm a mesma eficácia das balas Tic Tac e que o financiamento estatal legitima a homeopatia, encorajando alguns pacientes a evitarem a medicina convencional justamente quando mais precisam - tratar um câncer em estágio avançado, por exemplo.

Preparando-se para um possível embate, a Boiron, com sede em Lyon, se uniu aos rivais Weleda, da Suíça, e o grupo Lehning para financiar uma campanha chamada MyHomeoMyChoice (minha homeopatia, minha escolha). A iniciativa já conseguiu pouco mais de 1 milhão de assinaturas em uma petição online e distribuiu cartazes coloridos mostrando as famosas pílulas brancas em farmácias de todo o país.

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