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G-20 traz dilema para mercado acionário global

Vildana Hajric e Luke Kawa

27/06/2019 13h01

(Bloomberg) -- Jerome Powell já não é o centro das atenções. A bola da vez é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Uma semana depois da inclinação dovish do presidente do Federal Reserve ter provocado uma onda compradora de quase todos os tipos de ativos, os mercados seguram a respiração no momento em que Trump embarca rumo ao Japão para discutir as relações comerciais com o presidente chinês.

Os investidores estão na expectativa para a próxima cúpula do Grupo dos 20 há várias semanas, vista como a melhor chance até agora para resolver a disputa comercial desde que Trump intensificou a guerra contra com Xi Jinping, aumentando as tarifas. Qualquer sinal de trégua despertaria novamente o espírito animal e daria início a um novo rali.

Mas Powell - embora tenha dado ao mercado exatamente o que os investidores queriam - complicou a análise. Um Fed pronto para cortar os juros caso persistam sinais de fraqueza econômica dá ao presidente americano menos motivos para chegar a um acordo com os chineses, ameaçando uma alta do mercado acionário. E, caso Trump chegue a um acordo, o lado hawkish de Powell pode ser reafirmado, colocando em risco os ganhos do ouro e dos bônus do Tesouro dos EUA.

"Uma maior acomodação por parte do Fed, o que o mercado gosta, permite que Trump busque uma política mais agressiva, o que o mercado não gosta", disse Ryan Giannotto, diretor de pesquisa da GraniteShares. "Esse é o cerne da questão. É realmente um verdadeiro dilema para os mercados."

Relaxe. Essa é a mensagem do Bank of America. O resultado mais provável é que Trump e Xi concordem em seguir as conversas sem acirrar a disputa, escreveu o banco em nota aos clientes, descrevendo a cúpula como um "grande evento" com "expectativas mais baixas".

Calma também parece ser predominante no mercado de opções, onde a cúpula é apenas um pontinho no radar: a volatilidade futura sinaliza fogos de artifício para o S&P 500 em 1º de julho, o primeiro dia de negociação após a reunião no fim de semana, mas depois operadores esperam um período mais tranquilo.

Mercados eufóricos sobre a inclinação dovish do Fed podem colocar muita ênfase em qualquer sinal de progresso das negociações comerciais, alerta Priya Misra, chefe global de estratégia de taxas da TD Securities.

"Houve momentos no decorrer da disputa comercial Estados Unidos-China onde o otimismo do mercado talvez tenha superado o ceticismo pragmático, levando a ajustes nos preços dos ativos na hora da realidade", escreveu Misra em relatório.

Assim como o Bank of America, a TD espera que os dois líderes avancem nas conversas, mas vê uma "probabilidade quase zero" de um acordo real. Misra disse que tal resultado seria bem recebido pelos ativos de mercados emergentes e pelas moedas de crescimento do G-10, como o kiwi da Nova Zelândia, também promovendo um aumento modesto no rendimento dos títulos de 10 anos, segundo a TD.

O UBS Investment adotou um tom mais cauteloso, observando que a disposição do Fed de proteger a economia do impacto de uma guerra comercial prolongada ofusca qualquer esperança de uma grande barganha - seja neste fim de semana ou em um futuro próximo.

As consequências de um impasse podem ser enormes - com uma possível queda de 20% nas ações globais no pior dos casos, a menos que um acordo seja fechado nas próximas semanas, alertou o banco.

Repórteres da matéria original: Vildana Hajric em N York, vhajric1@bloomberg.net;Luke Kawa em Nova York, lkawa@bloomberg.net

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