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Campos Neto diz que não há elo mecânico reforma-juros: Estado

Bruce Douglas

07/07/2019 19h21

(Bloomberg) -- Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que não há relação mecânica entre a aprovação do Congresso da reforma da Previdência e um corte na taxa de juros, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no sábado.

Em nenhum momento, BC quis passar a informação de que era uma relação mecânica: se tem reforma, tem isso de juros; se não tem reforma, não tem, disse. Os comentários parecem sugerir um passo parcial atrás das mensagens no banco central nas últimas atas, sugerindo que a reforma era uma pré-condição para mais flexibilização monetária. Com a reforma fazendo progresso no Congresso, os operadores estimaram em cerca de 80% a chance de um corte de taxa na próxima reunião do banco no final deste mês.

A reforma da Previdência é a principal política econômica do governo. A reforma tem como objetivo economizar cerca de R$ 1 trilhão na próxima década. Analistas e investidores consideram o projeto essencial para estancar o sangramento nas contas públicas. Na ata da reunião do banco central em meados de junho, os membros do conselho citaram a palavra "reformas" não menos que 10 vezes.

Reformas Microeconômicas

O banco também está preparando uma série de medidas para baratear e ampliar o acesso ao crédito, disse Campos Neto na entrevista.

Uma das ideias é aumentar o uso de imóveis como garantidor de novos empréstimos, em um esforço para reduzir os custos de financiamento e estimular a economia. BC quer tirar o governo da jogada, disse ele ao jornal.

Na entrevista, Campos Neto disse que a instituição pode fazer mais para reduzir spreads e aumentar a inclusão nos mercados de crédito. Em particular, ele citou problemas para os brasileiros no uso de home equity e hipotecas reversas para liberar financiamento, linhas que, segundo ele, são comuns em países mais avançados.

Questionado sobre o foco do banco em medidas microeconômicas, Campos Neto disse que era uma questão muito importante. Citou a dificuldade de se fazer negócios no Brasil. Segundo ele, é difícil para uma pequena empresa emitir capital, ter acesso ao mercado de capitais. E se a empresa quiser fazer um investimento de longo prazo, é difícil fazer hedge.

O presidente do banco também disse ao Estado que a autonomia do banco central é uma de suas prioridades, além da redução da burocracia nas operações de câmbio. Serão mudadas 40 regras para simplificação. Também se buscará estimular uma maior concorrência no setor bancário brasileiro.