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Exportação de grãos pelos portos do norte deslancha

Tatiana Freitas

15/07/2019 16h57

(Bloomberg) -- O Brasil, maior exportador de soja, está fortalecendo sua liderança contra os EUA, depois que gigantes do comércio gastaram bilhões de dólares na construção de novos terminais e no desenvolvimento de rotas para portos no norte do país.

"Os portos do norte do Brasil estão permitindo que o país exporte grandes volumes de grãos sem atrasos históricos ou filas de navios", disse Sergio Mendes, diretor geral da Anec, associação que representa os exportadores brasileiros de grãos. "Os comerciantes estão exportando pelo norte os mesmos volumes de soja que costumam exportar de Santos, o maior porto da América Latina", disse ele. "Esta é uma conquista enorme."

A Bunge inaugurou a nova rota de exportação em 2014, utilizando barcaças para transportar a soja pelo rio Tapajós até o porto de Barcarena, no Pará. Empresas como a Cargill e a Louis Dreyfus seguiram com investimentos milionários na região. Além disso, as operações ferroviárias ficaram mais produtivas, algumas rodovias foram concessionadas e a gestão de estradas federais melhorou, estimulando os embarques pelo norte, disse Daniel Furlan, gerente de economia da Abiove em São Paulo.

Os embarques de milho do Brasil podem subir 58% este ano, para 38 milhões de toneladas, e as exportações de soja podem chegar a 70,5 milhões à medida que os exportadores estão ocupando mais a logística disponível, disse André Pessoa, sócio e analista da Agroconsult, durante evento em São Paulo no mês passado.

Enquanto os embarques de soja nos portos do sul aumentaram 16% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2014, as exportações pelos portos do norte mais que triplicaram, segundo dados do governo compilados pela Abiove, associação que representa as indústrias esmagadoras da oleaginosa. Nos seis meses encerrados em junho, o norte respondeu por 32% dos embarques brasileiros de soja ante 15% em 2014.

"Tanto o aumento da capacidade de exportação quanto a melhoria do acesso aos novos terminais estão permitindo o crescimento sustentável das exportações pelo norte", disse Edeon Vaz Ferreira, chefe do Movimento Pró-Logística da Aprosoja.

Mais investimentos devem vir. A Cargill poderá investir R$ 900 milhões até 2030 em um novo terminal privado em Abaetetuba, no Estado do Pará, acrescentando 9 milhões de toneladas à capacidade de exportação existente de 9,5 milhões de toneladas no norte do Brasil, uma região estratégica para embarques de grãos, disse a empresa por e-mail.

Enquanto o atalho da Amazônia reduziu o tempo de viagem dos campos para os portos, o custo de levar a produção para os portos do norte ainda é equivalente às despesas de transporte para os terminais do sul devido às más condições de algumas ferrovias e trechos não pavimentados, disse Ferreira.

Para diminuir custos e melhorar o transporte terrestre, as tradings planejam construir uma ferrovia para levar grãos do Mato Grosso para a estação de transbordo em Miritituba, onde são abastecidas barcaças que seguem para os terminais de exportação. O governo está revisando o plano de concessão e o leilão da chamada Ferrogrão, sem prazo definido.

O Brasil se beneficiou de investimentos em infra-estrutura em um momento em que os agricultores dos EUA foram abalados pela guerra comercial do governo Trump com a China, o maior importador de soja. O país asiático tem evitado principalmente o abastecimento dos EUA, e os embarques diminuíram notavelmente dos portos no noroeste Pacífico, que tem excesso significativo de capacidade para as colheitas.

--Com a colaboração de Michael Hirtzer.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Marisa Castellani, mcastellani7@bloomberg.net

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