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Fornecedor da Nike diversifica produção para escapar de tarifas

Cindy Wang

15/07/2019 06h39

(Bloomberg) -- O novo normal do comércio global é que existem poucos portos seguros.

Essa é a lição aprendida pela Eclat Textile. A fornecedora de roupas esportivas para a Nike e Lululemon Athletica deixou a China em 2016 porque as condições para a produção não eram ideais. A empresa decidiu então apostar no Vietnã. Agora, com a intensificação da guerra comercial, a Eclat se viu novamente vulnerável e decidiu buscar outros mercados além do Vietnã.

"A julgar pela situação global, o mais importante agora é a diversificação", disse o presidente do conselho da Eclat, Hung Cheng-hai, em entrevista. "Os clientes também querem que diversifiquemos os riscos, e não queremos que as bases de produção estejam em um país. Agora, 50% de nossas roupas são produzidas no Vietnã, por isso não somos suficientemente diversificados."

O aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e a China desestabilizou as cadeias de fornecimento globais, forçando empresas a desviar a produção do mercado chinês para outros países como Taiwan, Vietnã e Bangladesh. Mas o presidente dos EUA, Donald Trump, também endureceu sua postura em relação ao Vietnã, acusando o país de violar as regras de comércio e impondo maiores tarifas de importação sobre o aço. Com isso, as empresas percebem que nenhum país está suficientemente protegido contra tarifas para servir como centro de fornecimento global.

A Eclat agora procura criar múltiplos centros de produção regionais de menor porte que possam ser ágeis para atender os clientes. A fabricante de tecidos não pretende abrir fábricas ou expandir a produção no Vietnã nos próximos três anos, disse Hung.

Em vez disso, a empresa planeja investir em novas unidades em países do Sudeste Asiático como Indonésia ou Camboja. A Eclat espera investir US$ 80 milhões para inaugurar 120 linhas de produção na região. O conselho da empresa vai decidir os locais ainda este ano, disse Hung.

A estratégia da Eclat parece estar funcionando: o lucro da empresa aumentou 44% em 2018 em comparação com o ano anterior, enquanto as ações do grupo acumulam alta de 13% este ano.

Hung vê a flexibilidade como elemento fundamental. A incerteza relacionada às tarifas dificultou o planejamento feito por clientes para encomendas na cadeia de fornecimento, tornando-os mais conservadores na hora de fazer pedidos. A Eclat se adaptou com menores prazos para a entrega de pedidos. Essa flexibilidade deve ajudar a empresa a lidar com as surpresas.

"Se isso é preocupante, então também precisamos nos preocupar ao investir na Índia ou no México", disse. "Então, vamos sempre nos preocupar."