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Associação recomenda captura de carbono para zerar emissões

Bloomberg News

18/07/2019 07h20

(Bloomberg) -- A Associação Mundial do Carvão tem uma proposta para governos e bancos que são contra o combustível fóssil: investir em sistemas para capturar e armazenar as emissões de carbono como meio de combater as mudanças climáticas.

A tecnologia - conhecida como captura, uso e armazenamento de carbono, ou CCUS na sigla em inglês - é "absolutamente crítica para o caminho até a emissão zero que buscamos alcançar", disse Michelle Manook, a nova presidente da associação de carvão, em entrevista. "O que realmente precisamos ter é um investimento adequado."

O setor global de energia está sob pressão para reduzir as emissões diante das preocupações sobre o impacto das mudanças climáticas, sendo que o carvão é um dos principais alvos, por ser o combustível mais poluente. O combustível dividiu formuladores de políticas, fez com que grandes mineradoras, como Rio Tinto e BHP, suspendessem as atividades com carvão e levou bancos, como Standard Chartered e HSBC Holdings, a reduzir o financiamento para novos projetos de carvão.

Governos e empresas podem ter que acelerar os esforços depois que a ONU estimou que os investimentos globais em energia limpa precisam somar US$ 2,4 trilhões por ano até 2035 e que o uso de energia a carvão deve ser praticamente zerado até 2050 para evitar danos catastróficos causados pelo aumento da temperatura global em 1,5 graus Celsius ou mais.

Barreiras Comerciais

A tecnologia CCUS, juntamente com as chamadas usinas elétricas de alta eficiência e baixa emissão, pode ser capaz de ajudar a atingir essas metas, segundo Manook. A tecnologia é necessária para que todos os combustíveis fósseis, e não apenas o carvão, atinjam emissões zero e cumpram as metas climáticas do Acordo de Paris de 2015, disse.

A CCUS ainda não foi totalmente comprovada em escala e enfrenta barreiras comerciais, segundo relatório da BloombergNEF divulgado em junho. Entre as principais barreiras para uma ampla utilização da tecnologia está a falta de políticas que valorizem as reduções de emissões, de acordo com o relatório.

Essas instalações podem capturar cerca de 90% das emissões, não todas, disse a analista da BNEF, Elena Giannakopoulou, de Londres. Ela acrescentou que os projetos existentes de captura de carbono em usinas de carvão estouraram os orçamentos e enfrentam problemas operacionais.

O processo envolve a captura de emissão de carbono produzida pela geração de eletricidade e grandes fábricas, comprimindo-a para transporte e injetando-a profundamente em uma formação rochosa a ser armazenada. Uma maneira de utilizar a emissão capturada é a recuperação aprimorada de petróleo, na qual o dióxido de carbono e a água são bombeados para o subsolo para extrair o petróleo bruto que, de outra forma, poderia definhar no reservatório.

A Associação Mundial do Carvão, com sede em Londres, representa empresas como Anglo American, Glencore e China Energy Investment.

Michael Bloomberg, proprietário da Bloomberg LP e da agência de notícias, financiou esforços para fechar usinas de carvão e incentivar alternativas mais limpas por meio de sua organização filantrópica.

To contact Bloomberg News staff for this story: Feifei Shen em Pequim, fshen11@bloomberg.net

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