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Investidor local conduz o rali do real com estrangeiros de fora

Davison Santana e Aline Oyamada

18/07/2019 10h08

(Bloomberg) -- O rali do real neste mês mais uma vez evidenciou uma divisão entre os investidores que começou com a eleição de 2018: os locais são persistentemente mais otimistas do que os estrangeiros.

Após a Câmara aprovar a reforma da Previdência em primeiro turno por uma margem surpreendentemente alta de votos, os fundos domésticos melhoraram suas perspectivas para a moeda brasileira. Os investidores externos, por outro lado, continuaram preocupados com o fato de que a PEC possa ser diluída e que o crescimento econômico continua fraco.

Os fundos locais reduziram suas posições compradas em dólar versus o real de US$ 16 bilhões para US$ 9,5 bilhões desde o começo do mês, de acordo com dados da B3. Os estrangeiros absorveram a posição, adicionando US$ 4,4 bilhões a suas posições compradas, que agora estão em US$ 33,4 bilhões.

"A economia fraca deve amortecer o efeito positivo da aprovação final da reforma da Previdência sobre o real", disse You-Na Park, estrategista de câmbio do Commerzbank AG em Frankfurt. "É por isso que não esperamos uma valorização muito espetacular do real nos próximos meses."

O real teve uma apreciação de 2,3% este mês, a maior entre as 32 principais moedas do mundo. Com estrangeiros à margem, a moeda pode romper a média móvel de 200 dias perto de R$ 3,83 antes que possa retomar os ganhos.

A reforma da Previdência ainda precisa passar por uma segunda rodada de votação na Câmara dos Deputados antes de rumar para o Senado, onde a oposição tentará novamente adicionar emendas.

"Os investidores estrangeiros acreditam que, no final do ano, uma versão mais enxuta da reforma da Previdência será aprovada", diz Anders Faergemann, gerente de fundos em Londres na PineBridge Investments. Mas até então eles "provavelmente vão se manter do lado da cautela".

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