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Ambição da Netflix na Índia esbarra em rivais mais baratas

P R Sanjai, Lucas Shaw e Sheryl Tian Tong Lee

19/07/2019 09h54

(Bloomberg) -- A Netflix, cujas ações despencaram depois de registrar a pior queda do número de usuários nos Estados Unidos desde 2011, busca expandir a base de assinantes na Índia, um mercado de streaming em rápida expansão. O problema é que vários concorrentes ambiciosos no país têm a mesma meta.

Já em batalha contra gigantes globais como Walt Disney e Amazon.com, a Netflix agora também enfrenta emissoras e potências de Bollywood. Aliadas às operadoras de telefonia móvel financiadas por bilionários, essas rivais atraem usuários com ofertas gratuitas ou de apenas 40 centavos por mês. Com essas táticas, as concorrentes são um obstáculo para os planos de crescimento na Índia da Netflix, maior serviço de streaming on-line pago do mundo.

A intensa concorrência pode interferir na meta do presidente da Netflix, Reed Hastings, de conquistar 100 milhões de clientes na Índia - quase 25 vezes a base de assinantes estimada da Netflix no país este ano. O segundo país mais populoso do mundo é prioridade para o serviço de streaming, que não tem permissão de operar na China. A perda de 130 mil usuários nos EUA no segundo trimestre, divulgada na quarta-feira, torna o objetivo de conquistar o mercado indiano ainda mais premente.

Na quinta-feira, as ações da Netflix caíram 10%, a maior baixa em três anos, fechando em US$ 325,21 no pregão de Nova York. A desvalorização dos papéis reduziu em US$ 16,3 bilhões o valor de mercado da empresa.

Com um número crescente de smartphones e maior uso da banda larga, a Índia se tornou campo de batalha para serviços de streaming. A Cisco Systems calcula que o país terá 829 milhões de usuários de smartphones até 2022 em relação aos 500 milhões projetados para este ano.

"Estamos vendo um aumento agradável e constante do envolvimento com os espectadores indianos no qual podemos nos apoiar", afirmou o diretor de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, em teleconferência com analistas na quarta-feira. "O crescimento naquele país é uma maratona. Estamos nisso no longo prazo."

O mercado de vídeo sob demanda da Índia pode crescer para US$ 5 bilhões até 2023 em relação aos US$ 500 milhões no ano passado, segundo estimativas do Boston Consulting Group (BCG). Os assinantes pagantes devem subir para 50 milhões no período, enquanto os usuários de vídeo sob demanda com publicidade atingirão 600 milhões, prevê o BCG.

A Netflix tem mais de 150 milhões de assinantes em todo o mundo, a maior base global de clientes pagos. EUA, Brasil e Canadá são três dos maiores mercados, enquanto a Austrália é a maior história de sucesso da empresa na região da Ásia-Pacífico. A Índia difere da maioria desses mercados, devido ao peso dos preços para a população.

A Netflix provavelmente vai quase triplicar os assinantes na Índia este ano, para 4,1 milhões, a uma curta distância dos 4,4 milhões assinantes do Amazon Prime, de acordo com estimativas da consultoria IHS Markit. Outras projeções colocam a base da Netflix na Índia entre 1 milhão e 2 milhões. A empresa não fornece dados separados dos mercados onde atua.

Repórteres da matéria original: P R Sanjai em Mumbai, psanjai@bloomberg.net;Lucas Shaw em Los Angeles, lshaw31@bloomberg.net;Sheryl Tian Tong Lee em Hong Kong, slee1905@bloomberg.net