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Autoridades ainda relutam em usar vacina da J&J contra ebola

John Lauerman

22/07/2019 08h44

(Bloomberg) -- Uma vacina experimental da Johnson & Johnson contra o ebola está armazenada em um depósito holandês, pronta para ajudar a combater a crise internacional que emerge na África -- caso as autoridades decidam usá-la.

A epidemia de ebola, que começou há um ano, já matou mais de 1,7 mil pessoas e foi declarada emergência internacional de saúde pública na quarta-feira. A Organização Mundial da Saúde disse que possui cerca de 245 mil doses de uma vacina experimental da Merck que já está em uso e que há necessidade de mais opções.

Autoridades do setor de saúde da República Democrática do Congo estão relutantes em usar a vacina da J&J juntamente com a da Merck porque os procedimentos são diferentes, o que pode causar confusão na região do surto. Ambos os produtos são experimentais e ainda precisam ser licenciados. Ainda assim, como o vírus continua a se espalhar, especialistas em saúde e o grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras dizem que a cobertura de vacinação na região precisa ser ampliada.

"Devemos usar todas as ferramentas e abordagens à nossa disposição, incluindo o uso coordenado das vacinas da Merck e da Johnson & Johnson", disse Peter Piot, diretor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, em comunicado na quarta-feira. Piot fez parte da equipe que descobriu o ebola. "A OMS soou o alarme global. Agora, cabe ao mundo agir."

A vacina da Merck já foi aplicada em pelo menos 143 mil pessoas no surto atual, segundo relatório do Ministério da Saúde do Congo sobre uma série de reuniões realizadas no fim de junho com a OMS e outros grupos de saúde para combater a doença. A oferta restante poderia ser dobrada para cerca de 500 mil se as doses forem divididas pela metade, uma abordagem que se mostrou eficaz quando usada na Guiné, disse o relatório.

A Merck também planeja produzir cerca de 100 mil doses a mais até janeiro, um volume que também pode ser dobrado, segundo o relatório. No geral, a Merck planeja fornecer 900 mil doses nos próximos seis a 18 meses que serão produzidas na Alemanha e nos Estados Unidos, informou a empresa em e-mail.

A vacina da J&J é uma das outras quatro vacinas experimentais que as autoridades avaliam para o combate do surto. A empresa está desenvolvendo o produto, que também inclui uma dose elaborada pela Bavarian Nordic, há mais de uma década, disse Paul Stoffels, diretor científico da J&J nos EUA. Embora ainda não tenha recebido aprovação das autoridades de saúde, estudos em humanos e animais sugerem que a vacina é segura, eficaz e oferece imunidade duradoura contra o ebola, afirmou.

Mas existem diferenças importantes em relação à vacina da Merck que precisam ser levadas em consideração, disse. Produzida a partir de um vírus vivo e replicante, a vacina da Merck oferece proteção contra o ebola em cerca de 10 dias. Embora a imunização da J&J pareça aumentar as defesas do organismo a longo prazo, a vacina é administrada em duas doses em um intervalo de dois meses.

"Desenvolvemos uma vacina para um período de paz", disse Stoffels, que trabalhou por vários anos em clínicas de comunidades africanas pobres no Congo e em outros lugares antes de entrar na J&J.

--Com a colaboração de James Paton, Kristen V. Brown e Marthe Fourcade.