PUBLICIDADE
IPCA
+0,83 Mai.2021
Topo

Sem atingir metas de inflação, bancos centrais podem mudar alvo

Rene Vollgraaff, Craig Torres e Tracy Withers

24/07/2019 12h06

(Bloomberg) -- Com dificuldade para atingir suas metas de inflação, bancos centrais de todo o mundo debatem se precisam mexer no alvo.

Do Federal Reserve ao Federal ao Banco Central Europeu, autoridades avaliam as estratégias atuais e se elas precisam ser alteradas para acelerar a inflação, já que os índices continuam abaixo dos níveis apontados como indicadores de estabilidade dos preços.

Confira um resumo das estratégias de alguns bancos centrais:

Federal Reserve

Autoridades do Fed escolheram 2019 para revisar a melhor maneira de alcançar seu mandato de emprego máximo e preços estáveis. A pesquisa tem sido complementada por vários eventos "Fed Listens" (o Fed escuta) em todo o país, onde representantes de empresas e de sindicatos dão um feedback ao banco central sobre o desempenho da economia. Líderes trabalhistas e empresariais disseram aos representantes do Fed que a inflação baixa não parece ser um grande problema.

O maior problema seriam mais oportunidades para os trabalhadores. Em junho, o presidente do Fed, Jerome Powell, avaliou os benefícios e desafios das chamadas estratégias de maquiagem, nas quais a inflação é temporariamente empurrada acima da meta de 2% para compensar os resultados abaixo do objetivo. O Fed não tem conseguido atingir sua meta de inflação desde que o regime foi introduzido em 2012, mas as autoridades disseram explicitamente que não pretendem mudar a meta. Os bancos centrais dos EUA disseram que vão divulgar os resultados da revisão no primeiro semestre de 2020.

Banco Central Europeu

A equipe do BCE começou a estudar uma possível reformulação de meta de inflação, segundo autoridades com conhecimento do assunto. A equipe analisa informalmente a abordagem de política monetária da instituição. Por exemplo, se a meta atual de preços ao consumidor "abaixo, mas próxima a 2%" ainda é apropriada para a era pós-crise.

O presidente do BCE, Mario Draghi, é a favor de uma abordagem "simétrica", ou seja, com flexibilidade para estar acima ou abaixo de uma meta específica de 2%, disseram as fontes. A mudança permitiria ao BCE manter a inflação elevada por um tempo após um período de desaquecimento, para garantir que a aceleração dos preços esteja estabelecida. Mudar a meta em si provavelmente exigiria uma revisão formal, algo que Christine Lagarde pode querer fazer quando assumir o comando do BCE em novembro.

Banco da Inglaterra

Caberia ao governo do Reino Unido mudar o mandato do Banco da Inglaterra. Mas o economista Tony Yates diz que a Grã-Bretanha é o país do G-7 com maior probabilidade de revisar sua meta, especialmente se o Partido Trabalhista, da oposição, chegar ao poder.

Banco Central do Brasil

O ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, que introduziu as metas de inflação há duas décadas, diz que agora é hora de mudar o sistema. Ele sugere que a autoridade monetária deveria "suavizar" os ciclos econômicos como parte de um mandato secundário que receberia junto com sua independência, atualmente em discussão no Congresso. Isso seria algo além do objetivo de estabilidade de preços, e não deve ser confundido com uma meta de crescimento, enfatiza.

Banco Central da África do Sul

No início de 2018, o Banco Central da África do Sul começou a deixar claro que prefere a inflação ancorada perto do centro da meta de 4,5%, e não apenas abaixo do teto de 6%. Embora o mandato do Banco Central permita flexibilidade nos casos de choques exógenos, o Comitê de Política Monetária é menos tolerante com a inflação fora da meta do que no passado, disse o membro do comitê, Fundi Tshazibana, em fevereiro. O presidente do banco central, Lesetja Kganyago, foi ainda mais longe, sugerindo que o intervalo atual não é ideal e poderia ser menor.

--Com a colaboração de Zoltan Simon, Stephen Wicary e Prinesha Naidoo.

Repórteres da matéria original: Rene Vollgraaff em Johanesburgo, rvollgraaff@bloomberg.net;Craig Torres em Washington, ctorres3@bloomberg.net;Tracy Withers em Wellington, twithers@bloomberg.net