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JPMorgan diz que Europa nem sempre pode ser comparada ao Japão

Ksenia Galouchko

31/07/2019 15h02

(Bloomberg) -- Investidores costumam comparar a Europa ao Japão hoje em dia, mas, de acordo com o JPMorgan, seus ativos enviam sinais muito diferentes, na maioria das vezes.

Embora a queda dos rendimentos dos títulos de dívida da Alemanha, o encolhimento da população europeia e o desempenho das ações do setor financeiro na Europa sejam semelhantes à situação no Japão, o JPMorgan diz que outros indicadores - de ações a níveis de endividamento - colocam o continente europeu em uma posição mais favorável.

John Normand, chefe de estratégia de ativos cruzados do JPMorgan, destaca que a expansão econômica e a inflação da zona do euro podem estar desaceleradas, mas o crescimento nominal e o núcleo da inflação superam a deflação do Japão. Após uma década da crise de dívida europeia, os níveis de alavancagem no setor privado da região se estabilizaram. Por outro lado, famílias e empresas japonesas passaram 20 anos a partir de meados da década de 1990 reduzindo suas dívidas, alimentando o que o JPMorgan chama de recessão de balanço.

Em nota, Normand disse que, embora a zona do euro muitas vezes seja citada como exemplo de japanização, "este termo só se ajusta à região em alguns critérios". "A posição da Europa parece mais favorável do que a do Japão em estágios semelhantes."

E, considerando que a Europa lembra o Japão devido aos baixos rendimentos dos títulos, as ações da região não poderiam ser diferentes, já que "nunca" enfrentaram a recessão de vários anos do Japão ou a forte queda do índice preço-lucro, disse o estrategista.

"A depreciação do P/L de ações do Japão foi única porque a sobrevalorização pré-crise era muito extrema", disse Normand.

O Índice Stoxx Europe 600 subiu 33% em dólares nos últimos 20 anos, comparado à alta de 12% do Topix no período.

Mas Normand alerta que embora a região tenha conseguido escapar do destino do Japão, mais indicadores europeus ainda podem começar a espelhar o desempenho japonês devido ao crescimento lento, à baixa probabilidade de estímulos fiscais significativos em países como a Alemanha e menores retornos em compras de ativos realizadas pelo Banco Central Europeu.

--Com a colaboração de Michael Msika.