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Setor siderúrgico soa alarme sobre crescimento econômico global

Elena Mazneva

01/08/2019 06h51

(Bloomberg) -- O setor siderúrgico está enviando uma mensagem pessimista sobre a economia global.

O aço, a espinha dorsal dos segmentos de construção e transportes, enfrenta uma desaceleração nos últimos 12 meses devido ao lento crescimento global e à queda das vendas para montadoras. A perspectiva se torna ainda mais sombria com o aviso nesta quinta-feira da ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, de que a demanda pode ser ainda mais fraca do que a esperada anteriormente.

"As condições de mercado no primeiro semestre de 2019 foram muito difíceis, com a rentabilidade de nossos segmentos de aço afetada devido aos preços mais baixos do aço combinados com custos mais altos de matérias-primas", disse o bilionário Lakshmi Mittal, presidente da empresa.

O ponto problemático do setor é o mercado europeu, abalado por uma queda nas vendas para montadoras e pela concorrência com importações mais baratas. Os custos mais altos também reduziram os ganhos depois que os preços do minério de ferro, um ingrediente-chave para a produção de aço, subiram para o nível mais alto desde 2014.

A ArcelorMittal cortou as estimativas para a demanda global de aço: o crescimento pode ser de apenas 0,5% este ano, abaixo da estimativa anterior de 1%. Na Europa, a demanda pode encolher até 2%, segundo a empresa, que reduziu as previsões pela segunda vez este ano.

A ArcelorMittal também divulgou um balanço fraco e registrou o menor lucro desde o início de 2016. O Ebitda caiu 49%, para US$ 1,6 bilhão no segundo trimestre. A empresa teve prejuízo operacional líquido de US$ 0,2 bilhão devido à uma baixa contábil de ativos e vendas após uma aquisição na Itália.

Lucros em queda agora são uma tendência no setor. A Nippon Steel, a terceira maior siderúrgica do mundo, disse na quinta-feira que as margens permanecem sob pressão.

Uma das vantagens do negócio da ArcelorMittal é que a empresa produz um pouco de minério de ferro. Os lucros da divisão de mineração saltaram 87% no segundo trimestre, o que ajudou a compensar a fraca demanda por aço.

O Citigroup disse que os resultados vieram em linha com as expectativas e que o foco deve ser na melhoria do fluxo de caixa da empresa e na redução da dívida líquida.

A ArcelorMittal também sinalizou que pode vender até US$ 2 bilhões em ativos nos próximos dois anos. Os desinvestimentos podem ser na forma de participações minoritárias ou de ativos inteiros, mas não afetariam o negócio principal, segundo o diretor financeiro da empresa, Aditya Mittal.

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