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Google vai permitir que usuários escolham ferramenta de busca

Natalia Drozdiak

02/08/2019 08h49

(Bloomberg) -- O Google, controlado pela Alphabet, vai solicitar que rivais apresentem ofertas para aparecerem como motores de busca alternativos em smartphones Android, em uma tentativa de evitar mais questionamentos de agências antitruste.

A partir de 2020, o Google vai solicitar que usuários escolham entre o Google e três outras opções de competidores como ferramenta de busca. O Google convidou provedores de busca a apresentar ofertas como parte de um leilão na nova tela de opções, que será exibida quando um usuário configurar um novo smartphone ou tablet Android na Europa pela primeira vez.

A Comissão Europeia, órgão antitruste do bloco, multou o Google em 4,3 bilhões de euros (US$ 4,8 bilhões) no ano passado, com a acusação de que o gigante de tecnologia pressionava os fabricantes de dispositivos a pré-instalar a ferramenta de busca do Google e o navegador Chrome, o que garantia uma vantagem à empresa, pois os usuários seriam menos inclinados a procurar alternativas caso uma opção pré-determinada já estivesse instalada. A UE recomendou que o Google mudasse esse comportamento e ameaçou multas adicionais caso a empresa não cumprisse com a ordem.

Em abril, o Google começou a apresentar aos usuários alternativas para sua ferramenta de busca e para o Chrome. Mas a FairSearch, um grupo formado por concorrentes anti-Google e que já apresentou uma queixa formal à UE, disse na época que as mudanças eram insuficientes porque mantiveram o Google como programa padrão em todos os dispositivos Android. A responsável pelo braço antitruste do bloco, Margrethe Vestager, disse recentemente que "parece um pouco desafiador produzir uma tela de escolha que realmente ofereça aos consumidores uma escolha".

Se forem consideradas satisfatórias, as alterações podem ajudar o Google a evitar multas adicionais por não cumprir o pedido da UE. A FairSearch não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

Uma porta-voz da Comissão Europeia disse que a UE "monitoraria de perto a implementação do mecanismo de escolha" e observou que as mudanças permitem que as ferramentas de busca rivais possam fazer acordos com fabricantes de smartphones e tablets para pré-instalar seus serviços.

"Um leilão é um método justo e objetivo para determinar quais provedores de busca são incluídos na tela de escolha", disse o Google em post divulgado na sexta-feira ao anunciar as mudanças. O leilão permite "que os provedores de busca decidam qual valor colocam quando aparecem na tela de opções e façam lances de acordo."

--Com a colaboração de Nate Lanxon.

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