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Cobre manda mensagem ao mercado: crescimento global já naufragou

Mark Burton e Luzi-Ann Javier

05/08/2019 14h33

(Bloomberg) -- Nos últimos 12 meses, o cobre foi negociado em uma gangorra que acompanhava as expectativas de um acordo comercial entre Estados Unidos e China. Agora, o movimento está mais parecido com uma montanha-russa.

O foco está cada vez mais nos danos causados pelo caos de uma disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo. Como o cobre tem muitas utilidades, o metal é particularmente vulnerável à fraqueza sincronizada em diversos segmentos, como fabricação de carros e equipamentos de terraplanagem, imóveis comerciais e componentes eletrônicos avançados.

"O que os dados concretos nos dizem é que a demanda de uso final é lenta e, em muitos lugares, muito difícil," disse Oliver Nugent, estrategista de metais do Citigroup, em entrevista por telefone de Londres.

Na sexta-feira, o cobre rompeu uma faixa de negociação que durava desde julho de 2018, e atingiu um novo recorde de baixa dos últimos dois anos.

Setor de manufatura

Mesmo com a queda para o menor nível em dois anos, o cobre não acompanhou o declínio acentuado da atividade manufatureira global ao longo do ano, o que levou o Macquarie a apontar mais desvalorização para o metal, à medida que os preços acompanhem as tendências da demanda.

Desaquecimento na China

A desaceleração do setor de manufatura na China é particularmente significativa para o cobre: a demanda pelo metal no maior consumidor do mundo encolheu pela primeira vez desde 2015, segundo um rastreador do Citigroup. O banco prevê que o crescimento da demanda chinesa pelo metal será o mais fraco desde antes de 2000.

Risco de recessão

As preocupações também aumentam sobre o crescimento nos Estados Unidos. Um indicador do Federal Reserve de Nova York coloca o risco de uma recessão nos próximos 12 meses no maior nível desde 2008. O aprofundamento da disputa entre os EUA e China poderia custar à economia mundial US$ 1,2 trilhão, de acordo com a Bloomberg Economics.

Economistas do Morgan Stanley alertaram em nota na segunda-feira que a economia global provavelmente entrará em recessão em nove meses, caso as tarifas mais altas dos EUA e a retaliação da China durem de quatro a seis meses.

--Com a colaboração de Elena Mazneva.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Mark Burton em Londres, mburton51@bloomberg.net;Luzi-Ann Javier em New York, ljavier@bloomberg.net

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