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Vinho de altitude argentino ganha mercado com queda do peso

Jonathan Gilbert

05/08/2019 12h02

(Bloomberg) -- Duas décadas após a aquisição de vinhedos no sopé dos Andes, o multimilionário suíço Donald Hess está finalmente tendo lucro na Argentina, com a ajuda, em grande parte, da forte desvalorização do peso argentino.

Com a meta de expandir seus ativos em regiões fora de Napa Valley, Hess comprou a Bodega Colomé no pitoresco Vale Calchaquí, em junho de 2001, para produzir vinho com uma altitude de até 3.100 metros acima do nível do mar. Durante anos, a operação, com foco nas exportações, registrou prejuízo. Mas a sorte finalmente bateu à sua porta, diante da desvalorização de 78% do peso desde que o presidente Mauricio Macri tomou posse em dezembro de 2015.

A desvalorização aumentou as receitas dos vinhos Malbec e Torrontés de Hess, que são em grande parte enviados para os Estados Unidos e Europa. O Grupo Colomé, que também vende uma marca de vinhos mais barata chamada Amalaya, agora reinveste os lucros e planeja elevar a produção em 5% no próximo ano, segundo Matthieu Naef, que assumiu o posto de presidente da empresa em abril.

"A taxa de câmbio atual nos deixa bastante tranquilos", disse o mexicano Naef, 42 anos, veterano dos setores de hotelaria e gastronomia, em entrevista em Buenos Aires. "A desvalorização nos permitiu compensar os crescentes custos."

Ao mesmo tempo, os exportadores de vinho da Argentina poderiam se beneficiar de uma ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas ao setor de vinhos da França. Trump ameaçou aplicar tarifas de retaliação contra a França em resposta ao imposto do país sobre serviços digitais.

O início do auge do setor de vinho na Argentina remonta ao final do século 19, mas somente na década de 1980 que as exportações de produtores de vinho concentrados na região oeste de Cuyo começaram a fluir. Hoje, existem 200 mil hectares de vinhedos, e o vinho se tornou símbolo da Argentina, assim como a carne bovina e o futebol.

A inflação na Argentina está na casa dos 56%. Os produtores também precisam de muitas peças importadas, desde rolhas até rótulos de papel. Como essas importações são precificadas em dólares, os vinhedos que dependem das vendas domésticas e, portanto, não têm receitas atreladas à moeda americana, enfrentam dificuldades.

Enquanto isso, o Grupo Colomé tem previsão de exportar cerca de 65% dos 2,1 milhões de garrafas de vinho produzidas no ano que termina em junho. "Se continuarmos exportando de 65% a 70%, tudo vai bem", disse Naef.

Embora o regime de câmbio flutuante sob o governo Macri tenha beneficiado exportadores de vinho, uma medida do ano passado para ajudar a atingir metas fiscais com a taxação de todas as exportações da Argentina teve o efeito contrário.

Macri diz que vai anular o imposto no fim de 2020. Primeiro, no entanto, o presidente argentino precisa garantir um segundo mandato e vencer o líder da oposição, Alberto Fernández, nas eleições presidenciais de 27 de outubro.

As exportações dos vinhos Colomé e Amalaya vão principalmente para os EUA. A Europa importa o resto, com a Alemanha e o Reino Unido liderando as compras. Os vinhos são feitos principalmente com a uva Malbec, que produz vinhos tintos intensos, e Torrontés, um branco aromático.

Naef vai coordenar uma campanha de marketing para a marca Amalaya, que ganha espaço entre o público mais jovem de consumidores de vinho. Como essa geração se preocupa mais com a sustentabilidade ambiental, disse Naef, a empresa tenta que os Malbecs Amalaya obtenham certificação orgânica no próximo ano.

"Houve uma mudança de mentalidade no consumo de vinho", disse

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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