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BOE sob pressão para seguir passos de BCE com mulher no comando

Craig Stirling e Eddie Spence

06/08/2019 11h14

(Bloomberg) -- O governo do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, acaba de ser presenteado com uma nova ideia para o próximo presidente do Banco da Inglaterra: escolher uma mulher.

A indicação de Christine Lagarde em julho como a primeira mulher presidente do Banco Central Europeu transfere agora o ônus para o Reino Unido, que em breve vai escolher o sucessor de Mark Carney. Se o primeiro-ministro e seu ministro das Finanças, Sajid Javid, mantiverem o monopólio dos homens no comando do BOE, a próxima chance de mudar esse quadro viria apenas em oito anos, quando termina o mandato do próximo presidente.

Se esse for o caso, o BOE terá sido liderado apenas por homens em seus 333 anos, abrangendo 121 presidentes: um constrangimento cada vez mais mofado quando comparado com instituições econômicas mais jovens, como o Federal Reserve dos Estados Unidos, o BCE e o Fundo Monetário Internacional, que já foram todos comandados por uma mulher pelo menos uma vez.

"É uma questão global, para que mais mulheres estejam em altos cargos de bancos centrais", disse Sharon Bowles, que se candidatou ao posto de presidente do BOE em 2012, antes de perder para Carney. "Seria um símbolo extremamente importante."

O substituto de Carney é uma das decisões econômicas mais importantes enfrentadas pelo governo antes da saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 31 de outubro.

Cerca de 30 pessoas se candidataram a um processo de seleção conduzido pelo ex-ministro das Finanças, Philip Hammond, antecessor de Javid, que compilou uma lista para a próxima administração com a ajuda de uma empresa de headhunter especializada em diversidade. Pelo menos dois dos candidatos são mulheres.

As possíveis candidatas podem incluir a ex-vice de Carney, Minouche Shafik, e a presidente do Santander UK, Shriti Vadera. Shafik era a mulher mais bem cotada na mais recente pesquisa da Bloomberg com economistas para a função, sendo a sétima colocada no ranking geral.

Caso o BOE decida que um homem deve assumir o comando, o Reino Unido não estará sozinho em termos de falta de diversidade. O Fed e o BCE continuam sendo os únicos bancos centrais do G-7 que já colocaram mulheres na liderança. E, na foto de grupo do último encontro dos ministros de Finanças do G-7 na França, não havia um único rosto feminino.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Craig Stirling em Frankfurt, cstirling1@bloomberg.net;Eddie Spence em Londres, espence11@bloomberg.net

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