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Fundo da Noruega prepara lista de desinvestimento em petróleo

Mikael Holter

06/08/2019 15h23

(Bloomberg) -- Depois de anunciar que venderia todas as ações do setor de petróleo, causando um estrondo no mercado em 2017, o desinvestimento real do fundo soberano da Noruega, com ativos de US$ 1,1 trilhão, agora seria tão insignificante que pouco importaria.

O plano inicial do fundo foi fortemente diluído em um compromisso político que protegeu as maiores petroleiras do mundo. Agora, os ajustes técnicos parecem destinados a reduzir a venda em mais 30%, o que significa que o desinvestimento seria menor do que a participação de cerca de US$ 6 bilhões do fundo na gigante do petróleo Royal Dutch Shell.

O maior fundo soberano do mundo, que cresceu apoiado em décadas de produção de petróleo para proteger futuras gerações de noruegueses, abalou os mercados globais quando disse que planeja vender US$ 37 bilhões em ações no setor de petróleo e gás. Embora o fundo argumentasse que se tratava de um movimento para distribuir melhor o risco geral da Noruega, o anúncio foi usado por ativistas climáticos para promover um movimento de desinvestimento em combustíveis fósseis.

Mas o governo norueguês, liderado por dois partidos que apoiam o setor petrolífero, decidiu em março poupar as grandes empresas integradas, como Shell e BP, em parte porque estas investem em energia renovável. Com isso, o desinvestimento incluiria empresas que atuam apenas com exploração e produção, reduzindo a venda para cerca de US$ 7,8 bilhões. Mas essa estimativa foi baseada em uma categoria do provedor de índices FTSE Russell, que também incluía empresas de comercialização, refino e petroquímica.

Desde então, o sistema de classificação mudou para incluir a categoria "produtores de petróleo bruto", sem a parte logística, ou downstream. O fundo dará seu parecer sobre os detalhes finais do desinvestimento ao Ministério das Finanças até meados de setembro e não quis fazer comentários.

Knut Anton Mork, professor de economia e que liderou um comitê sobre a estratégia, bem como Harald Magnus Andreassen, economista-chefe do SpareBank 1 Markets, acreditam que o Ministério das Finanças deve escolher a categoria "produtores de petróleo bruto" para a venda.

As participações do fundo nesse grupo no fim de 2018 eram avaliadas em US $ 5,7 bilhões, segundo cálculos da Bloomberg. A participação de 2,5% na Shell valia US$ 5,9 bilhões no mesmo período. A Petrobras Distribuidora está na provável lista de desinvestimentos do fundo.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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