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Gargalos do Brexit afetam fluxo de caixa da Rolls-Royce

Benjamin D. Katz

06/08/2019 09h25

(Bloomberg) -- A saída de caixa da Rolls-Royce aumentou no primeiro semestre devido ao gargalo nas entregas de aviões da Airbus e Boeing, o que reduziu a receita com motores. Além disso, o abastecimento dos estoques como prevenção para um Brexit sem acordo levou a um aumento de peças disponíveis.

A maior fabricante de motores de aviões da Europa registrou fluxo de caixa livre subjacente negativo de 429 milhões de libras (US$ 522 milhões) no primeiro semestre, quase seis vezes mais do que no ano anterior.

A Rolls-Royce atualmente tem cerca de 50 motores aguardando entrega, em comparação com o nível normal de 15. O presidente da empresa, Warren East, previu "melhoras significativas" no segundo semestre e disse que a Rolls-Royce deve atingir sua meta de caixa para o ano com a desova dos estoques.

Os resultados da empresa mostram o efeito cascata sobre os fornecedores. As fabricantes de aviões se deparam com pedidos recordes em carteira, impulsionados pela maior demanda por viagens aéreas. Contratempos, que vão desde assentos de baixa qualidade a falhas nos motores, afetaram a produção, forçando a Airbus e a Boeing a manter fábricas operando durante a época do Natal do ano passado, a fim de atingir as metas de entrega.

A empresa britânica foi atingida por seus próprios problemas de fabricação quando foram encontradas falhas nos motores do modelo Boeing 787. East anunciou uma despesa para os reparos, e outra relacionada ao fim da produção do superjumbo A380 da Airbus, bem como maiores custos de reestruturação. Ele citou um salto de quase 30% no lucro operacional com margens maiores em motores do A350.

Em todo o grupo, o valor dos estoques deve diminuir em 500 milhões de libras até o segundo semestre, em parte devido a um menor número de jatos 787 fora de operação, segundo previsões da Rolls-Royce. A empresa projeta fluxo de caixa livre de 700 milhões de libras em 2019, sendo que o valor pode ficar 100 milhões de libras acima ou abaixo dessa estimativa. A Rolls-Royce não fabrica motores para o 737 Max da Boeing.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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