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Juros negativos vão pesar no bolso de clientes ricos do UBS

Patrick Winters

06/08/2019 08h19

(Bloomberg) -- O UBS planeja ampliar uma política de cobrança de clientes ricos que possuem uma grande quantia de dinheiro nas contas, diante da perspectiva de que as taxas de juros negativas na Europa vieram para ficar.

O banco, que tem como foco a gestão de patrimônio, pretende cobrar de seus clientes suíços uma taxa anual de 0,6% sobre depósitos de mais de 500 mil euros (US$ 560 mil). A taxa anteriormente era cobrada apenas para contas a partir de 1 milhão de euros.

Como o rival suíço Credit Suisse, o UBS está num beco sem saída: perder dinheiro para manter depósitos de clientes ou impor taxas que podem levar os clientes a buscar outro banco. Devido ao prolongado período de juros extremamente baixos e negativos, os credores precisam pagar aos bancos centrais o excesso de dinheiro depositado em francos suíços ou euros.

O Credit Suisse já havia anunciado uma taxa de 0,4% para clientes com contas em euros de mais de 1 milhão a partir de setembro. O UBS também vai introduzir taxas negativas para clientes com altos saldos em franco suíço, e o Credit Suisse também estuda adotar a medida.

Os clientes do UBS podem mitigar a cobrança de 0,6% transferindo dinheiro para "depósitos fiduciários" fora da Suíça - instrumentos financeiros que podem ser acionados em até dois dias úteis, informou o banco. Esses depósitos estão sujeitos a uma taxa anual de 0,375%. O melhor cenário para o banco é quando os clientes transferem os recursos para ações ou títulos.

Os bancos há muito tempo se queixam do efeito dos juros baixos, e o presidente da UBS, Sergio Ermotti, havia alertado no mês passado que o novo ciclo de afrouxamento monetário poderia estimular bolhas de ativos. O CEO do Credit Suisse, Tidjane Thiam, classificou a situação de "desafio" em entrevista à TV Bloomberg no mês passado e disse que o banco anunciaria algumas medidas em agosto para alterar os preços e proteger os rendimentos dos empréstimos.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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