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O CEO que liderou a recuperação de US$ 37 bi da Daiichi Sankyo

Kanoko Matsuyama e Grace Huang

06/08/2019 15h40

(Bloomberg) -- O futuro parecia sombrio para a farmacêutica japonesa Daiichi Sankyo quando George Nakayama assumiu a presidência em 2010.

A ação da empresa estava em queda livre há seis anos, sua filial indiana Ranbaxy Laboratories tinha sido proibida de vender produtos nos Estados Unidos e um novo remédio anticoagulante havia recebido o mais rigoroso alerta de segurança.

Nakayama, ex-vendedor de uma das maiores cervejarias do Japão, decidiu reestruturar a Daiichi Sankyo, afastando-se de remédios genéricos e voltando-se para o negócio mais lucrativo de medicamentos contra o câncer. O executivo vendeu a Ranbaxy, envolvida em escândalos, por US$ 3,2 bilhões, comprou duas fabricantes de medicamentos contra o câncer com sede nos EUA e concentrou pesquisas sobre uma classe de medicamentos que poderia substituir a quimioterapia.

A recompensa chegou em março, quando a farmacêutica britânica AstraZeneca fechou um acordo para pagar até US$ 6,9 bilhões para desenvolver conjuntamente um desses medicamentos, chamados anticorpos conjugados, para pacientes com câncer de mama e outros tipos de tumores. Sob o plano de recuperação de Nakayama, as ação da Daiichi Sankyo disparou 470% para um nível recorde - adicionando US$ 37 bilhões em valor de mercado para torná-la a segunda maior fabricante de medicamentos do Japão, depois da Takeda Pharmaceutical.

"Muitas coisas aconteceram, mas eu tive muita sorte", disse Nakayama, 69 anos, durante entrevista em 12 de julho. "Olhando para trás, foi um começo bem difícil. Ficou melhor com o tempo."

Logo após o acordo, Nakayama passou o cargo de CEO para Sunao Manabe, embora continue sendo presidente do conselho. O executivo deixa o posto de CEO em um bom momento: a Daiichi Sankyo tem o melhor desempenho este ano em um índice MSCI das maiores farmacêuticas.

Analistas dizem que o futuro parece brilhante para a companhia com sede em Tóquio, criada em 2005 pela fusão da Daiichi Pharmaceutical com a Sankyo. A receita deve crescer 14% até 2023, enquanto o lucro operacional aumentaria 78%, segundo analistas consultados pela Bloomberg.

"A mudança de estratégia está começando a dar certo", disse Yasuhiro Nakazawa, analista da SMBC Nikko Securities, em Tóquio. "A Daiichi Sankyo está realmente apostando no novo rumo como um todo."

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Kanoko Matsuyama em Tóquio, kmatsuyama2@bloomberg.net;Grace Huang em Tóquio, xhuang66@bloomberg.net

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