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Goldman lidera otimismo com Ambev após retomada no 2º trimestre

Vinícius Andrade e Fabiola Moura

07/08/2019 11h25

(Bloomberg) -- Três upgrades e retorno de 14% em duas semanas são sinais de que o copo começa a ficar meio cheio para a Ambev.

A ação da unidade brasileira da Anheuser-Busch InBev, a maior cervejaria do mundo, está em alta desde a divulgação de vendas mais fortes do que o esperado em 25 de julho, enquanto o índice Ibovespa mostra queda de quase 2%. Analistas e investidores ficaram animados com o crescimento dos volumes de cerveja vendidos pela empresa no Brasil no segundo trimestre, o que indica que a Ambev recuperou participação de mercado, apesar da economia ainda fraca.

Investimentos em novos produtos começam a dar frutos, disse o diretor financeiro da Ambev, Fernando Tennenbaum, em entrevista por telefone. "Só com uma leve melhora da confiança do consumidor no começo do ano, nós já vimos uma migração de cervejas de baixo preço de volta para marcas como Skol e Brahma", que custam um pouco mais. "Isso nos beneficia muito", disse.

Com operações na América do Sul, América Central e Canadá, a Ambev, que também fabrica refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas, tem ampliado seu portfólio de marcas de cerveja em todas as regiões, mas especialmente no Brasil. A empresa passou a oferecer mais marcas premium, como Colorado e Wals, no Sul e Sudeste, que possuem maior poder de compra. A cervejaria também está promovendo marcas regionais com preços mais baratos, como Magnífica e Nossa, no Nordeste, onde o desemprego é maior e a renda sente o golpe da persistente desaceleração da atividade econômica.

"Deve ficar mais fácil daqui para frente", escreveram os analistas do Goldman Sachs Luca Cipiccia e Galdino Falcão em relatório de 26 de julho. O banco manteve a recomendação outperform para a ação, mas elevou o preço-alvo em 12 meses de R$ 22 para R$ 23. Entre outros fatores, o primeiro semestre de 2019 foi mais desafiador devido à uma base de comparação mais forte com o ano passado, que incluiu a Copa do Mundo, disseram.

"A Ambev está de volta", escreveu o analista do Credit Suisse, Antonio Gonzalez, em relatório de 2 de agosto. A percepção sobre a Ambev mudou de uma empresa que enfrentou problemas de volume estrutural nos últimos dois anos "para [uma] história de crescimento de vários anos", disse Gonzalez, que reiterou sua recomendação outperform.

Desde a publicação do último balanço da Ambev, o Itaú BBA fez um duplo upgrade para o equivalente a compra, enquanto o JPMorgan elevou a recomendação para neutra e o Barclays reafirmou sua visão construtiva sobre a empresa. A Eleven Financial Research também elevou sua recomendação para compra, de modo que agora a Ambev possui 5 recomendações de compra, 12 de manutenção e 1 de venda, segundo dados compilados pela Bloomberg.

As ações da Ambev caíram 28% no ano passado em meio às preocupações com o aumento da concorrência e a uma atividade econômica errática que afetou o consumo.

"O mercado costumava olhar para o copo meio vazio", disse Fernando Siqueira, gestor de portfólio da MZK Investimentos, cuja segunda maior posição no Brasil é a Ambev. "Os resultados devem melhorar a partir do segundo semestre", disse Siqueira.

Os números do segundo trimestre mostraram que a Ambev está reconquistando participação no segmento de cervejas doméstico, com um aumento de 2,9% do volume, enquanto o restante do mercado ficou praticamente estável, disse Tennenbaum, da Ambev, citando dados da Nielsen.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Vinícius Andrade em São Paulo, vandrade3@bloomberg.net;Fabiola Moura em São Paulo, fdemoura@bloomberg.net

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