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Maior trading de petróleo independente alerta para fraca demanda

Verity Ratcliffe e Manus Cranny

07/08/2019 14h16

(Bloomberg) -- O crescimento da demanda global por petróleo está desacelerando e não deve aumentar mais do que 650 mil barris por dia este ano, antes de voltar a acelerar em 2020, segundo o presidente da trading de petróleo Vitol.

Os mercados de petróleo estão focados na guerra comercial entre Estados Unidos e China, enquanto "subestimam um pouco o preço" do risco de possíveis interrupções de fornecimento decorrentes de tensões geopolíticas no Golfo Pérsico, disse o CEO da Vitol, Russell Hardy, em entrevista à Bloomberg TV, em Abu Dhabi. Com a fraca demanda em mercados estabelecidos, a Vitol está se concentrando em economias emergentes, disse.

"Estamos continuamente revisando nossas expectativas de crescimento", disse Hardy na quarta-feira. A maior trading independente de petróleo do mundo estima que a demanda aumente entre 600 mil e 650 mil barris por dia em 2019, "e esperamos um crescimento de cerca de 800 mil barris por dia para o próximo ano. Esses números estão um pouco abaixo dos cálculos iniciais, e não incluem LGNs", ou líquidos de gás natural, disse.

A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo de petróleo cresça cerca de 1,2 milhão de barris por dia este ano. A estimativa da agência inclui líquidos de gás natural. Wall Street está mais pessimista. O JPMorgan Chase estima crescimento de 800 mil barris por dia, o que seria o menor aumento desde 2011.

A Vitol está "um pouco preocupada" com o crescimento de países industrializados nos próximos 10 a 15 anos, disse Hardy. "O crescimento nos países em desenvolvimento, mercados emergentes, será mais interessante para nós como trading, por isso temos que mudar um pouco nosso foco para esse lado."

O executivo também destaca que o crescimento da China está mais moderado, e a disputa comercial entre Washington e Pequim prejudica a demanda.

Para Hardy, o mercado parece estar subestimando o risco de que a oferta de petróleo possa ser interrompida.

Na segunda-feira, o Irã disse que pode causar mais instabilidade no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz. O país apreendeu vários navios perto do estreito, um gargalo para um terço de todos os carregamentos marítimos de petróleo, e foi acusado de atacar navios-tanque na área em maio e junho. Os preços do petróleo subiram depois dos incidentes, mas desde então recuaram e permanecem em tendência baixista.

--Com a colaboração de Giovanni Prati, Mahmoud Habboush, Andy Hoffman e Grant Smith.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Verity Ratcliffe em Dubai, vratcliffe1@bloomberg.net;Manus Cranny em Londres, mcranny@bloomberg.net

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