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Pimco vê chance de rendimentos negativos nos Treasuries

Vivien Lou Chen

07/08/2019 15h16

(Bloomberg) -- A Pacific Investment Management Co. juntou-se ao coro de alertas sobre a possibilidade de os rendimentos dos títulos de dívida dos EUA ficarem eventualmente negativos, somando-se a um conjunto de ativos que superou US$ 14 trilhões no mês passado.

Em postagem num blog na terça-feira, Joachim Fels, assessor econômico global da gigante dos investimentos de renda fixa, disse que "não é mais absurdo pensar que o rendimento nominal dos títulos do Tesouro dos EUA possa ficar negativo". Pelo menos 11 países têm rendimentos negativos nos títulos de 10 anos e o rendimento de 30 anos da Alemanha juntou-se ao resto da sua curva abaixo de zero na semana passada.

A queda dos rendimentos continuou nesta quarta-feira, quando os yields dos Treasuries de 10 e 30 anos foram aos níveis mais baixos do ano - o de 30 anos se aproximou da mínima histórica de 2,088%, registrada em 2016.

Os rendimentos negativos nos EUA exigem um "ciclo de alívio maior do Fed", o que permanece como "uma possibilidade e não uma probabilidade", escreveu Fels. "Mas se o Fed reduzir as taxas até zero e reiniciar a flexibilização quantitativa, os rendimentos negativos dos títulos do Tesouro dos EUA poderão mudar rapidamente de teoria para realidade."

Essa tendência tem fatores seculares e cíclicos, diz Fels. O principal secular é o aumento da expectativa de vida, o que criou um excesso de poupança. As forças cíclicas, que "se intensificaram recentemente", incluem um esfriamento do mercado de trabalho dos EUA, a guerra comercial EUA-China e o risco de que o Federal Reserve esteja ficando atrás da curva.

O estrategista do JPMorgan Chase & Co. Jan Loeys disse, no mês passado, que a pilha global de títulos de rendimento negativo tem uma capacidade de areia movediça para englobar grande parte do universo de renda fixa, incluindo os EUA.

O estrategista de juros do Bank of America nos EUA, Bruno Braizinha, embora ainda não esteja prevendo rendimentos negativos nos EUA, vê risco de que o título de 10 anos caia em território desconhecido abaixo de 1% em um ano, à medida que o Fed entra em um ciclo de corte de taxa no estilo recessivo.

"O rendimento está evaporando globalmente", disse Braizinha, em entrevista. Até o final de 2020, um "cenário de japonização" - um período prolongado de baixo crescimento e inflação marcado por uma política de banco central extremamente acomodatícia - implica um rendimento de 10 anos na faixa de 0,30% a 0,60%. E se o Fed voltar à taxa de juros zero, "o rendimento de 10 anos pode ficar negativo".

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