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Salários para especialistas em cibersegurança estão em alta

Anders Melin

07/08/2019 16h50

(Bloomberg) -- Foi preciso um salário de US$ 650 mil para que Matt Comyns conseguisse convencer um experiente especialista em segurança cibernética a trabalhar para uma das maiores empresas dos Estados Unidos como diretor de segurança da informação em 2012. Na época, era um dos salários mais altos do segmento.

Este ano, a empresa teve que pagar US$ 2,5 milhões para contratar alguém para o mesmo cargo.

"É uma guerra total pelo talento cibernético", disse Comyns, sócio-gerente da firma de recrutamento de executivos Caldwell Partners, especializada em segurança da informação. "Os CEOs sabem disso, então jogam duro. Todo mundo está apostando dinheiro nisso."

A ameaça de violações digitais - e as multas, processos judiciais e possíveis renúncias de executivos - tornou a busca por especialistas de segurança mais difícil. Os crescentes pacotes de remuneração e as responsabilidades ampliadas representam uma mudança dramática para um grupo de profissionais que antes se limitava a departamentos obscuros de TI, às vezes deixados em segundo plano pelo comando das empresas.

Nos 12 meses encerrados em agosto de 2018, havia mais de 300 mil postos de segurança cibernética não preenchidos nos Estados Unidos, segundo a CyberSeek, um projeto apoiado pela Iniciativa Nacional de Educação em Cibersegurança. Globalmente, a escassez é estimada em mais de 1 milhão nos próximos anos, segundo estudos.

Os dados coincidem com o aumento da frequência e da sofisticação dos ataques digitais, que vão desde a interrupção de sistemas de computadores até a extorsão e roubo de informações pessoais confidenciais.

Em abril, o presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, disse a acionistas que a segurança cibernética "pode muito bem ser a maior ameaça ao sistema financeiro dos EUA". Já o presidente do Bank of America, Brian Moynihan, havia dito anteriormente que a unidade de segurança cibernética do banco opera com um orçamento ilimitado.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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