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Doença da laranja perde força nos pomares e preço do suco cai

Marvin G. Perez e Fabiana Batista

08/08/2019 16h06

(Bloomberg) -- Produtores de laranja dos Estados Unidos e do Brasil se recuperam dos estragos causados por uma doença que destruiu pomares da fruta no continente na última década. Mas há um problema: com a produção em alta, as cotações do suco de laranja estão em queda.

Na batalha contra a doença conhecida como citrus greening, os citricultores reinvestem em variedades de pés de laranja mais resistentes, fortalecendo as árvores existentes com nutrientes e garantindo que os pés jovens estejam livres de pragas por pelo menos dois anos. O resultado: frutas maiores e um aumento da produção de laranjas.

Mas a safra maior reduziu o preço do suco de laranja em 20% este ano, o que resultou em menor receita para os citricultores. Ao mesmo tempo, a batalha contra o greening é cara, e a demanda pelo suco Tropicana da PepsiCo está em queda.

Nos preços futuros atuais, "ninguém no mundo está ganhando dinheiro", disse Thomas Spreen, economista agrícola aposentado da Universidade da Flórida, em Gainesville, que trabalhou para o Departamento de Citros da Flórida.

Dan Richey, que faz parte da terceira geração de uma família de citricultores na Flórida, com cerca de 182 hectares de pés de laranja, não está otimista sobre as perspectivas de curto prazo. A batalha contra o greening continua a ser desafiadora e cara, disse por telefone.

"Não temos uma bala de prata, mas há algumas soluções", acrescentou.

Enquanto isso, a superprodução passa a ser um grande problema. "O Brasil tem uma safra muito grande, e os estoques globais estão se acumulando", disse Richey.

A quantidade de suco de laranja produzido mundialmente na temporada 2018-2019, que termina em 30 de setembro, deve aumentar 36% em relação ao ano anterior, para 2,17 milhões de toneladas, o maior nível em oito anos, de acordo com relatório do Departamento de Agricultura dos EUA.

Entre outubro e 22 de julho, as vendas de suco de laranja no varejo dos EUA caíram 5,8% em relação ao ano anterior, para 1,16 bilhão de litros, segundo o Departamento de Citros da Flórida em relatório no mês passado. Nos últimos 18 anos, a demanda caiu quase pela metade já que baby boomers e millennials, preocupados com as calorias ingeridas, contam com uma crescente variedade de bebidas.

Há "um cenário desafiador para os futuros do suco de laranja no segundo semestre deste ano", disse Andres Padilla, analista do Banco Rabobank International, em entrevista por telefone. "A safra do Brasil já começou com a perspectiva de ser grande e de boa qualidade, mas os números da demanda continuam decepcionantes."

Mesmo com o greening ainda ameaçando pomares brasileiros, citricultores do país melhoram a produtividade, impulsionada por investimentos em tecnologia. A safra 2019-20 deve ser 36% maior do que na temporada anterior e ficar 21% acima da produção média de 10 anos, segundo a Fundação Fundecitrus.

Na Flórida, segunda maior produtora regional de suco de laranja depois do Brasil, citricultores colheram 59% mais laranjas do que na safra anterior, que foi atingida pelo furacão Irma. O aumento, no entanto, chega com um preço também alto, disse Ray Royce, diretor executivo da Highlands County Citrus Growers Association.

"O que acontece com o greening é que vimos uma enorme escalada nos custos de produção", disse Royce por telefone.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Marvin G. Perez em Nova York, mperez71@bloomberg.net;Fabiana Batista em Sao Paulo, fbatista6@bloomberg.net

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