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Setor aéreo dos EUA cresce mais rápido do que economia

Justin Bachman

12/08/2019 10h18

(Bloomberg) -- As companhias aéreas dos Estados Unidos transportaram um recorde de 889 milhões de passageiros em 2018, um aumento de 20% em relação ao número há cinco anos, segundo dados do Departamento de Estatísticas de Transportes, com registros desde 2002. Essa disposição para viajar ficou evidente nas fortes receitas do segundo trimestre, e executivos do setor destacam uma forte demanda na alta temporada do verão no hemisfério norte.

O que é mais intrigante sobre esse entusiasmo por viagens aéreas, no entanto, não são os aviões lotados no pico da temporada de verão, mas o fato de que os aviões permaneceram cheios mesmo depois de as companhias aéreas dos EUA terem adicionado voos, aviões maiores e mais assentos.

"É a persistência dessa demanda que tem sido interessante", disse Jamie Baker, analista do JP Morgan que monitora companhias aéreas há 17 anos. O boom coloca uma grande questão para o setor, especialmente em meio à guerra comercial e preocupações sobre se uma recessão se aproxima: "Isso é apenas fogo de palha?", pergunta Baker.

O aumento do tráfego das companhias aéreas superou a expansão econômica dos EUA no mesmo período. A atual demanda de companhias aéreas é aproximadamente o dobro da taxa de crescimento do PIB dos EUA. Historicamente, esse número "esteve mais próximo de 1,5", disse Rajeev Lalwani, analista do setor aeroespacial do Morgan Stanley.

As ações de companhias aéreas, no entanto, têm decepcionado investidores. Um índice de cinco companhias áreas dos EUA acumula alta de 9% este ano, em comparação com um ganho de 17% para o S&P 500. Somente o retorno de 19% da Delta Air Lines atualmente supera o índice. As companhias aéreas também tiveram um desempenho abaixo do índice S&P em três dos últimos quatro anos e quase não igualaram o retorno em 2016.

As tendências de demanda sugerem que o maior mercado de aviação do mundo continua sendo um negócio em crescimento e, possivelmente, não um setor industrial maduro e firmemente atrelado ao desempenho econômico.

Executivos de companhias aéreas e analistas apontam para uma variedade de fatores para a forte demanda. Entre eles, voos mais baratos, expansão de companhias aéreas de baixo custo e mudanças nos programas de fidelidade, cujo foco agora é transformar as milhas em "moeda" transacional para que membros utilizem os pontos não apenas em viagens, mas também em upgrades, taxas de bagagem e coquetéis em lounges de aeroportos.

A tendência dos millennials de valorizar experiências em detrimento de adquirir bens materiais também alimenta parte da demanda por viagens aéreas. Pessoas com mais idade têm listas de desejos; os mais jovens consideram viajar com os amigos mais importante do que comprar um bem caro.

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