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Novo medicamento para ebola mostra resultados promissores

Michelle Fay Cortez e Rebecca Spalding

13/08/2019 09h02

(Bloomberg) -- Um medicamento experimental está salvando pacientes infectados com o vírus ebola, que se espalha pela República Democrática do Congo, onde um surto já matou pelo menos 1.800 pessoas.

Os resultados preliminares com um tratamento realizado pela farmacêutica norte-americana Regeneron Pharmaceuticals, chamado REGN-EB3, foram tão positivos que o ensaio foi interrompido para que o medicamento pudesse ser aplicado em pacientes com ebola mais cedo. Os infectados receberão agora o medicamento da Regeneron ou o mAb114, um tratamento em desenvolvimento pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, que também parece promissor.

Os medicamentos podem ajudar a reduzir o número de mortes e encorajar os que estão apenas começando a mostrar sinais da doença a procurar atendimento. Até agora, dois terços das pessoas infectadas no mais recente surto morreram. A violência e a desconfiança na República Democrática do Congo aumentam os obstáculos para controlar a epidemia.

"Temos agora o que parece ser um tratamento para uma doença para a qual não muito tempo atrás realmente não tínhamos nenhuma abordagem terapêutica", disse Anthony Fauci, diretor do instituto. "Podemos ser capazes de aumentar a sobrevivência das pessoas com ebola, e isso pode até animar outras a buscar atendimento."

O estudo comparou os medicamentos experimentais com o ZMapp, da Mapp Biopharmaceutical, até agora considerado o padrão de tratamento depois que um ensaio anterior indicou que o medicamento poderia ajudar a reduzir as taxas de mortalidade. Um grupo independente de conselheiros interrompeu o estudo na sexta-feira, após 681 pacientes terem sido tratados, porque os que receberam o REGN-EB3, da Regeneron, mostraram uma probabilidade significativamente menor de morrer do que os que haviam sido tratados com o ZMapp.

No estudo, 29% dos pacientes tratados com o REGN-EB3 morreram, comparados com 49% entre pacientes medicados com o ZMapp e 53% com o remdesivir, que foi desenvolvido pela Gilead Sciences. Cerca de um terço dos pacientes tratados com o mAb114 morreram, uma proporção considerada suficientemente baixa.

Embora o ebola geralmente mate 50% das pessoas infectadas, as taxas têm variado em relação aos surtos anteriores. A taxa de mortalidade para o surto atual é maior, e a maioria das pessoas morre em sua comunidade e sem tratamento, segundo Mike Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Michelle Fay Cortez em Mineápolis, mcortez@bloomberg.net;Rebecca Spalding em Boston, rspalding@bloomberg.net

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