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Gigantes da computação em nuvem enfrentam ameaça nas beiradas

Olga Kharif

21/08/2019 14h39

(Bloomberg) -- Três companhias dominam discretamente o mercado de computação em nuvem: Amazon.com, Microsoft e Alphabet (dona do Google).

Com mais de 100 gigantescas centrais de dados espalhadas pelo mundo, elas alugam poder computacional para todo tipo de cliente, faturando bilhões de dólares. De fato, a computação em nuvem contribuiu mais para os lucros da Amazon nos últimos anos que o e-commerce.

Mas há uma ameaça no horizonte, literalmente nas beiradas. Com tantos dispositivos móveis e sensores conectados à internet e contando com inteligência artificial, mais pessoas e empresas precisam de poder computacional por perto. Para atividades como a análise rápida das condições de trânsito e streaming de shows holográficos, as centrais de dados ficam longe demais.

É uma enorme oportunidade para operadoras de telefonia móvel, que estão montando redes 5G para encarar a missão e armando uma ameaça às tradicionais companhias de computação em nuvem, segundo o analista de telecomunicação Chetan Sharma.

"Com o tempo, a nuvem será usada principalmente para armazenamento e execução de modelos computacionais mais longos, enquanto a maioria do processamento de dados e inferência de inteligência artificial ocorrerá nas beiradas ", concluiu Sharma, autor de relatório sobre o tema patrocinado pela provedora de software AlefEdge. Ele estima que esse mercado de computação nas pontas extremas movimentará mais de US$ 4 trilhões até 2030.

Operadoras de telefonia móvel e proprietárias de torres de celular têm grande vantagem nessa corrida: não só controlam o acesso a redes de telecomunicação de alta velocidade, como também imóveis valiosos, como dezenas de milhares de instalações para telefonia celular espalhadas pelos EUA.

A computação em nuvem não está nem de longe com os dias contados. Mas a pressão aumentou para que as três grandes do segmento se unam a operadoras de telefonia móvel para não ficarem de fora desse segmento promissor.

"As principais participantes se deram conta de que, no mínimo, precisam fazer parcerias com as operadoras para obter acesso a seus imóveis", disse Sharma.

A AT&T, segunda maior operadora de celular dos EUA, já juntou forças com duas provedoras de computação em nuvem, a Microsoft e a IBM.

"Nosso objetivo é que nossos parceiros façam enorme sucesso", disse Sam George, executivo da divisão de computação em nuvem da Microsoft. "Se nossos parceiros tiverem enorme sucesso, nós teremos enorme sucesso. Os parceiros podem ganhar muito dinheiro."

Amazon e Google preferiram não falar sobre seus planos.

Centenas de funcionários da AT&T estão focados na computação para pontas extremas, que é "parte essencial da nossa estratégia 5G", disse Mo Katibeh, diretor de marketing da divisão de negócios. "Isso é algo que requer uma comunidade."

A IBM também trabalha com a operadora Vodafone Group na Europa.

"As redes estão essencialmente se tornando uma nuvem", explicou Steve Canepa, diretor-gerente global da IBM para a indústria de telecomunicação. "As empresas de telecomunicação hoje têm presença nas beiradas e é um ótimo lugar para uma extensão da plataforma."

Na Ásia, as provedoras de serviços em nuvem Alibaba Group Holdings e Tencent Holdings investiram na operadora de celular China Unicom há dois anos. Mais investimentos e parcerias dessa natureza podem estar a caminho, de acordo com Sharma.

Para outras empresas de tecnologia, incluindo fabricantes de semicondutores como a Intel, a esperança é que a transição traga mais oportunidades para todos.

"Vemos uma convergência rápida entre fornecedores de serviços em nuvem e fornecedores de conectividade", disse Caroline Chan, gerente geral da Intel. "Em nossa opinião, é um mercado maior."

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