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Na batalha pelo streaming, Disney mira fãs em convenção

YOSHIKAZU TSUNO/Gamma-Rapho via Getty Images
Imagem: YOSHIKAZU TSUNO/Gamma-Rapho via Getty Images

Chris Palmeri

22/08/2019 14h39

Os fãs mais entusiasmados da Disney serão alvo de uma nova proposta comercial.

A Walt Disney está transformando a D23 Expo, a bienal para fãs em Anaheim, Califórnia, em plataforma para emplacar seu novo serviço de streaming. O evento de três dias, que começa amanhã, terá mais de 20 painéis, novidades dos bastidores e apresentações relacionadas aos novos programas de TV e filmes online. É a primeira vez que os serviços de streaming recebem tanta atenção.

Três serviços - Hulu, ESPN+ e Disney+ - serão promovidos em um pavilhão especial no centro de convenções, onde os visitantes poderão testar os novos aplicativos ou ver figurinos usados nas produções. Estrelas como Jeff Goldblum, apresentador de um programa de ciências no Disney+, e Peyton Manning, retaguarda da série documental sobre futebol americano no ESPN+, vão dar as caras. Além de receber descontos, os participantes do evento serão os primeiros autorizados a aderir ao serviço Disney+, que será lançado em 12 de novembro.

Nas palavras do presidente Bob Iger, Disney+ é o "produto mais importante que a empresa lançou" durante o mandato dele. Por uma mensalidade de US$ 7, o serviço oferecerá filmes da Marvel, Pixar e Star Wars, além de programas originais.

A campanha de marketing, que inclui abordagens a hóspedes de hotéis da empresa, detentores de cartões de crédito e titulares de passes de acesso aos parques temáticos, começa neste mês.

"As oportunidades são tremendas para comercializar isso", afirmou Iger em teleconferência com investidores.

A D23 Expo, realizada pela primeira vez em 2009, sempre foi uma vitrine para tudo relacionado à Disney. Fãs que pagam US$ 89 para frequentar um dia do evento chegam a acampar fora do centro de convenções para serem os primeiros nas filas de compras e apresentações.

Os ingressos estão esgotados. A maratona começa na manhã de sexta-feira com a premiação em homenagem a "Lendas" que contribuíram para o sucesso da companhia. Entre os homenageados deste ano estão Robert Downey Jr. ("Homem de Ferro") e James Earl Jones (a voz de Darth Vader).

A grande ação da Disney na D23 é o preparativo para a longa guerra que se inicia no segmento de streaming. AT&T, Comcast e Apple planejam lançar novos serviços de assinatura de conteúdo televisivo. A pioneira Netflix mais que dobrou o gasto com publicidade nos últimos dois anos, para US$ 1,8 bilhão em 2018, ritmo mais acelerado que o aumento do orçamento para programas.

Iger prometeu grande número de assinantes. Em evento para investidores em abril, a empresa informou que poderia conquistar de 60 milhões a 90 milhões de assinantes para o Disney + em cinco anos, dois terços fora dos EUA

A companhia também pretende lançar mais de 25 novas séries de TV e 10 filmes originais para o serviço, gastando mais de US$ 1 bilhão somente no primeiro ano. Outras divisões, como Disney Channel, poderiam passar para papéis coadjuvantes, à medida que produções importantes, como "High School Musical", são reaproveitadas no streaming. "High School Musical" e uma nova versão de "A Dama e o Vagabundo" estarão entre as atrações da exposição que começa na sexta e farão parte do catálogo do Disney + no final deste ano.

O custo de tudo isso já é evidente para os investidores. O resultado financeiro divulgado no início do mês foi decepcionante. A nova divisão focada em contato direto com o consumidor perdeu US$ 553 milhões no segundo trimestre e a expectativa é um prejuízo de US$ 900 milhões no trimestre atual, avisou a diretora financeira Christine McCarthy.

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AFP

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