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Índia lança pacote para estimular economia e atrair capital

Siddhartha Singh, Archana Chaudhary e Upmanyu Trivedi

23/08/2019 17h29

(Bloomberg) -- A Índia reverteu uma sobretaxa sobre o capital estrangeiro em carteira e anunciou um pacote de medidas para estimular a economia, que registra a menor taxa de crescimento em cinco anos.

A sobretaxa sobre ganhos de capital de curto e longo prazo foi removida, informou a ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, em Nova Deli na sexta-feira. Ela anunciou também uma injeção imediata de 700 bilhões de rúpias (US$ 9,8 bilhões) separados do orçamento no mês passado para fortalecer o capital dos bancos e suspender restrições em agências governamentais à compra de novos veículos.

"A sobretaxa da FPI vai embora, resumidamente", disse Sitharaman, referindo-se à sigla em inglês da proposta de orçamento para investimentos estrangeiros em carteira. "Em outras palavras, a posição pré-orçamento foi restaurada."

As medidas chegam depois que o governo foi criticado por não conter a derrapada do mercado acionário ou a desaceleração da demanda, que impactou setores variados, do automotivo aos de biscoitos e cosméticos. A retirada da taxa adicional para investimentos estrangeiros em carteira deve aumentar a confiança. Fundos do exterior retiraram mais de US$ 3 bilhões do país desde que a medida foi anunciada em julho.

Outras providências, como a capitalização dos bancos e a compra de veículos novos pelo setor público ajudarão na expansão econômica. "As medidas para impulsionar a demanda, principalmente no setor automotivo, serão positivas para o crescimento", disse Teresa John, economista da Nirmal Bang Equities, em Mumbai. "O aumento dos gastos públicos e a liberação de pagamentos pelo governo também darão sustentação aos negócios."

Os mercados financeiros comemoraram a retirada da taxa, que já tinha sido anunciada por um representante do governo mais cedo na sexta-feira. O S&P BSE Sensex, principal índice do mercado de ações, reverteu as perdas e fechou em alta de 0,6%. A rúpia também reverteu a depreciação e chegou a avançar 0,2%. Segundo Sitharaman, os bancos serão obrigados a vincular seus produtos de empréstimo aos juros de referência do banco central para acelerar a transmissão da flexibilização monetária.

Ao todo, o banco central diminuiu os juros em 1,10 ponto percentual desde fevereiro, mas o repasse tem ficado aquém do desejado pelo comandante da instituição, Shaktikanta Das, que pediu ajuda de outras partes para impulsionar o crescimento.

Dados a serem divulgados na semana que vem provavelmente mostrarão que o PIB registrou expansão anualizada de 5,6% no segundo trimestre, abaixo dos 5,8% observados nos três meses anteriores.

O recuo não surpreende. A freada no gasto do consumidor obrigou montadoras de automóveis a paralisar fábricas diante do acúmulo de carros nos pátios. Uma crise no sistema bancário paralelo também pesou sobre o consumo interno, que representa quase 60% do PIB.

"As reformas são processo contínuo e o impulso para reformas continuará", disse a ministra.

--Com a colaboração de Ronojoy Mazumdar, Ameya Karve, Vrishti Beniwal, Devidutta Tripathy e Anirban Nag.

Repórteres da matéria original: Siddhartha Singh New Delhi, ssingh283@bloomberg.net;Archana Chaudhary New Delhi, achaudhary2@bloomberg.net;Upmanyu Trivedi em Nova Delhi, utrivedi2@bloomberg.net