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Fundo soberano da Noruega quer maior fatia de setor tecnológico

Sveinung Sleire

27/08/2019 07h05

(Bloomberg) -- O fundo soberano da Noruega, com ativos de US$ 1 trilhão, propôs mudanças na forma como suas participações são ponderadas geograficamente, o que reduziria investimentos na Europa e aumentaria a fatia no mercado acionário dos Estados Unidos, dominado pelas maiores empresas de tecnologia.

Em uma carta enviada ao Ministério das Finanças divulgada na terça-feira, o fundo afirmou que "a distribuição geográfica deve ser ajustada ainda mais aos pesos de mercado ajustados pela flutuação, aumentando o peso das ações na América do Norte e reduzindo o peso das ações nos mercados desenvolvidos europeus".

A proposta atende a um pedido do ministério no ano passado para que o fundo revisasse a ponderação geográfica em vigor desde 2012. Na terça-feira, o ministério disse que daria sua resposta na "primavera de 2020" e que qualquer mudança seria implementada gradualmente.

O fundo tem posição "overweight" na Europa para refletir melhor os fluxos comerciais da Noruega, mas esse peso tem sido questionado, já que o fundo poderia ter obtido retornos maiores nos mercados dos EUA. Uma mudança poderia desencadear uma onda de investimentos em ações dos EUA, que incluem gigantes de tecnologia como Microsoft, Apple e Amazon.com, que já são as maiores participações do fundo.

"Ações compõem a maioria dos investimentos no GPFG [Government Pension Fund Global], e é importante que a estrutura para esses investimentos seja apropriada e atualizada", disse o ministro das Finanças, Siv Jensen, em comunicado.

A composição atual dá às ações europeias um fator de 2,5 e uma participação de 33,8% da carteira. As ações da América do Norte possuem um fator de 1, portanto, apesar de ser um mercado maior, sua participação é de apenas 41,2%. Ásia e Oceania e mercados emergentes têm um fator maior de 1,5, com participações de 14,6% e 10,1%, respectivamente.

Essa composição foi remodelada pela última vez em 2012, quando foram introduzidos pesos geográficos ajustados pela flutuação livre. Naquela época, o banco recomendava que a distribuição regional dos investimentos em renda variável fosse direcionada aos mercados globais, mas que qualquer transição ocorresse a longo prazo e em etapas.

Uma possível alteração nos pesos geográficos será a mais recente de uma série de grandes mudanças realizadas pelo fundo, que recentemente elevou sua participação em ações para 70%, vendeu títulos de dívida de mercados emergentes, desacelerou planos no setor imobiliário e pretende começar a investir em infraestrutura de energia renovável.

--Com a colaboração de Mikael Holter.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net