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Com queda da libra, Reino Unido tem perdedores e vencedores

Sid Verma, Anchalee Worrachate e Charlotte Ryan

28/08/2019 16h40

(Bloomberg) -- Quando o Brexit fez disparar o custo de importação de ingredientes como arroz jasmim, curry e leite de coco da Tailândia, Saiphin Moore, proprietária de um restaurante em Londres, viajou para seu país natal para não ter que depender de intermediários. Com agricultores e fabricantes que abasteciam o restaurante diretamente, Moore reduziu os custos em 15%, o que ajudou o Rosa's Thai Cafe, com 17 unidades, a amenizar a desvalorização da libra.

No entanto, o risco de que o Reino Unido saia da União Europeia sem acordo leva mais traders a apostarem que a libra esterlina atinja o nível mais baixo em 34 anos. E Moore teme que outra forte desvalorização seja muito pesada para seu negócio. Moore importa quase 70% dos ingredientes e emprega muitos cidadãos tailandeses.

Alguns empresários se beneficiam com a desvalorização da libra causada pelo Brexit, mas pequenas e médias empresas enfrentam uma batalha difícil com o objetivo do primeiro-ministro Boris Johnson de sair do bloco de qualquer forma até o fim de outubro. Alguns analistas até alertam que a libra pode cair para um nível de paridade com o dólar, caso um Brexit sem acordo se concretize. As probabilidades apontam quase 50% de chance de isso acontecer.

Conheça alguns perdedores - e vencedores - da implacável desvalorização da libra:

Vencedores: estudantes estrangeiros

O Reino Unido já era o destino acadêmico mais popular depois dos Estados Unidos, e a libra mais fraca aumenta ainda mais o fluxo de estudantes. As matrículas de estudantes internacionais nas universidades do Reino Unido subiram para 458.520 no ano letivo 2017/2018 em relação à média de 432.546 nos três anos anteriores ao referendo do Brexit, de acordo com a Studying-in-UK.org.

Os chineses respondem pela maioria de estudantes estrangeiros no Reino Unido, e as matrículas para programas de graduação no país aumentaram 30% em relação ao ano passado, segundo dados do Serviço de Admissão de Universidades e Faculdades. O salto também pode refletir restrições dos EUA aos vistos acadêmicos.

Perdedores: varejistas

Os estudantes estrangeiros podem ajudar a suavizar o impacto do Brexit sobre varejistas como Debenhams, Topshop e Marks & Spencer, mas isso não será suficiente para tirar o setor do marasmo. As perspectivas já são as mais difíceis em uma década, segundo o British Retail Consortium.

Os varejistas do Reino Unido muitas vezes recebem mercadorias do Oriente Médio e pagam em dólares entre sete a 120 dias após a entrega, de acordo com Richard Hyman, analista de varejo independente. Isso significa que muitas empresas ainda não sentiram a recente desvalorização da libra. Os varejistas também fazem hedge de sua exposição cambial, mas "você só pode fazer hedge até certo ponto", disse Hyman.

Vencedores: agências de turismo

A libra mais fraca contribuiu para impulsionar o fluxo de turistas ao Reino Unido, que deverão atingir 38,9 milhões de visitantes este ano, perto de um recorde estabelecido em 2017, de acordo com a VisitBritain, a agência nacional de turismo. Os turistas provavelmente gastarão cerca de 24,5 bilhões de libras (US$ 30 bilhões), igualando o recorde de 2017.

Perdedores: pensionistas

Para os aposentados que vivem no exterior, como Roger Boaden, a libra esterlina está pesando no bolso. Boaden, 79 anos, e sua esposa se mudaram para a França em 2002 em busca de um padrão de vida que não podiam mais pagar no Reino Unido. Mas, desde novembro de 2015, o valor da pensão recebida caiu mais de 500 euros (US$ 556) por mês.

Ele agora monitora a taxa de câmbio todos os dias para transferir libras "apenas para obter alguns euros extras" cada vez que a moeda se recupera temporariamente. A libra esterlina tem sido uma das moedas mais voláteis nos últimos 12 meses, sendo negociada entre US$ 1,33 e US$ 1,20 no período.

--Com a colaboração de Andrea Felsted.