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Vinhedos da Borgonha têm clima mais quente desde peste negra

Jonathan Tirone

29/08/2019 14h48

(Bloomberg) -- Vinicultores franceses não enfrentavam temperaturas tão altas e clima tão seco desde pelo menos a época da peste negra no século XIV.

As temperaturas extremas, que agora podem ser consideradas normais para pessoas com menos de 30 anos, não têm precedentes em registros históricos que remontam à época em que a Europa se recuperava da pandemia que dizimou a população. Essa é a conclusão de pesquisadores que examinaram dados de temperatura, colheita de uvas e salários desde 1354, segundo um estudo publicado na revista Climate of the Past, da União Europeia de Geociências.

"Anos quentes e secos extremos no passado foram casos isolados, enquanto se tornaram norma desde a transição para o rápido aquecimento em 1988", disseram os autores, coordenados por Thomas Labbe. Com as temperaturas mais altas nas últimas três décadas, as uvas da Borgonha têm sido colhidas, em média, 13 dias antes do padrão dos últimos 664 anos, disseram.

O novo estudo destaca como as mudanças climáticas provocadas pelo homem forçam populações a se adaptarem a novos ciclos. O clima mais quente e seco afeta não apenas os agricultores da Borgonha que cuidam de seus vinhedos, mas também comerciantes e consumidores.

Os pesquisadores reexaminaram o lendário verão de 1540, que secou o rio Reno, e analisaram cerca de 300 relatórios meteorológicos. Os trabalhadores naquele ano colhiam uvas que pareciam passas murchas e "produziam um vinho doce semelhante ao xerez, que deixava as pessoas bêbadas rapidamente", escreveram. O crítico de vinhos Hugh Johnson disse que provar essa safra foi um dos momentos mais memoráveis de sua carreira.

No entanto, temperaturas elevadas não garantem colheitas de qualidade, disseram os pesquisadores, observando que a duração dos tipos de amadurecimento e vinificação são fatores igualmente importantes.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net