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Citricultores da Flórida temem mais perdas com furacão Dorian

Marvin G. Perez

30/08/2019 07h30

(Bloomberg) -- Quando os citricultores da Flórida pensavam que teriam uma boa temporada, veio a notícia do furacão Dorian.

A tempestade ameaça trazer para a Flórida chuvas torrenciais e ventos de 210 quilômetros por hora durante o fim de semana do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, numa época em que citricultores ainda se recuperam do furacão Irma, que há dois anos afetou o número de laranjas produzidas pelo estado, que caiu para os níveis mais baixos desde 1945, causando bilhões de dólares em perdas.

Em sua atual trajetória, o Dorian pode atingir pelo menos um quarto das principais áreas de cultivo da Flórida, disse Drew Lerner, presidente da World Weather, com sede em Overland Park, no Kansas. A reação: os contratos futuros do suco de laranja subiram para o maior nível em 12 semanas diante da preocupação de que os pomares na Flórida enfrentem a mesma devastação causada pelo Irma.

"Certamente causa muito nervosismo, dada a projeção mais recente da trajetória" do Dorian, disse Ray Royce, diretor executivo da Associação de Citricultores do Condado de Highlands, responsável por cerca de 14% da produção de laranjas do estado.

Estimativas apontavam para um volume de 80 milhões de caixas produzidas na Flórida na temporada 2019-20, de acordo com Royce. Os citricultores precisam aproveitar o máximo volume de frutas, porque os preços pagos por caixa serão mais baixos este ano, disse, diante da concorrência com a safra brasileira.

O setor enfrenta consumo interno mais fraco diante de mudanças nas preferências alimentares e concorrência crescente de outras bebidas, como a água. Além disso, a doença greening reduziu a oferta de laranjas.

Mais recentemente, o aumento da produção de laranjas no Brasil e no México estimulou clientes a importarem mais suco desses países, mantendo os contratos futuros em Nova York sob pressão. Essa combinação reduziu a área cítrica da Flórida, que inclui laranjas, para 174.258 hectares em 2019, a mais baixa desde 1966, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA divulgados na quarta-feira.

"Um desvio de 48 km a 80 km", onde a tempestade causa o impacto "pode fazer uma grande diferença" na magnitude dos estragos, disse Royce. "Você pode fazer algumas coisas para se preparar", acrescentou, "mas não há realmente nenhuma maneira de proteger as árvores ou a colheita. Já vimos esse filme há dois anos."

Além de laranjas, o estado da Flórida também é importante fornecedor de tomate, pimentão, vagem, cogumelos, pepinos, açúcar e algodão entre o fim do outono e inverno no hemisfério norte.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net