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Cresce temor de intervenção em gás de xisto da Argentina

Jonathan Gilbert

10/09/2019 15h36

(Bloomberg) -- Com o possível retorno da ex-presidente argentina Cristina Kirchner ao poder, crescem os temores de que suas políticas intervencionistas afetem as operações de gás de xisto de Vaca Muerta.

Kirchner é vice na chapa de Alberto Fernández, que tem grandes chances de vencer as eleições presidenciais de outubro depois de ter derrotado o presidente pró-mercado Mauricio Macri nas primárias do mês passado. Embora não esteja claro quanto poder Kirchner terá no novo governo, a ex-presidente já defende o controle das tarifas de energia.

"A imposição de restrições sobre Vaca Muerta ou sobre os preços domésticos vai afastar os investimentos estrangeiros", disse Fernando Valle, analista de petróleo para as Américas da Bloomberg Intelligence, em Nova York. Com tanta concorrência global, as empresas podem facilmente decidir perfurar em outro lugar, disse.

Em 2013, quando Kirchner estava no poder, ela abriu caminho para a Chevron se unir à estatal YPF - que ela nacionalizou um ano antes - no que é hoje o principal bloco de petróleo de Vaca Muerta. Em discurso no sábado, Kirchner disse que os argentinos deveriam pagar tarifas mais baratas do que os compradores globais pela energia produzida no campo de gás de xisto, que compete com a Bacia Permiana dos EUA.

"O que for consumido do recurso dentro de nossas fronteiras, o que for usado por nossas indústrias, nosso trabalho, deveria ter preços nacionais", disse Kirchner, que seria vice-presidente se Fernández assumir o poder. "O que os argentinos não querem é pagar preços internacionais por algo que produzimos aqui e que pode ajudar o desenvolvimento de nossas indústrias e dar-lhes uma vantagem competitiva."

Analistas dizem que o vencedor das eleições continuará apoiando Vaca Muerta porque as exportações de gás de xisto são essenciais para garantir os superávits no comércio de energia que a Argentina precisa para sustentar o peso. Isso, por sua vez, poderia ajudar a trazer estabilidade econômica a longo prazo.

Guillermo Nielsen, assessor de Fernández que disputa um cargo em seu gabinete, trabalha em um projeto de lei para Vaca Muerta que inclui provisões para reduzir impostos para petroleiras e a construção de um gasoduto no sul do Brasil para exportação de gás.

--Com a colaboração de Ignacio Olivera Doll.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net